Séries para Leigos: Sherlock

17/02/2012

Todos gostam de um bom enigma. Quando crianças, somos confrontados com aqueles quebra cabeças de doze peças que demoravam para se tornarem cansativos. A partir de então, escolhemos ficar horas tentando finalizar um jogo de palavra cruzada ou Sudoku. Passamos a mesma quantidade de tempo assistindo filmes ou séries de mistério ou lendo um livro com o mesmo tema. A razão para fazermos isso pode variar, seja por gostar de seguir um caminho lógico que o leva a respostas absolutas e definitivas, por apreciar o desafio ou simplesmente para se sentir superior aos outros. Não importa a razão, o fato é que diariamente somos submetidos a algum tipo de enigma; e nós gostamos. No entanto, as histórias de Sherlock Holmes dão ainda mais um estímulo ao seu público: a competição. Estamos tratando de um dos homens mais inteligentes da história fictícia e conseguir acompanhar seu raciocínio na tentativa de obter respostas antes do protagonista é um exercício viciante. Juntando toda essa premissa com uma qualidade altíssima de roteiro, é impossível resistir a uma série como Sherlock, da BBC inglesa.

A série foi criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, dois roteristas de Doctor Who, enquanto faziam suas viagens de trem até Cardiff para a produção do programa. Como grandes fãs das histórias de  Sir Arthur Conan Doyle, eles imaginaram como seria se o personagem vitoriano vivesse no mundo moderno, tendo toda a tecnologia atual ao seu alcance – e adesivos de nicotina no lugar do tradicional cachimbo. Não precisa nem dizer que a série é um total sucesso. Baseando-se nas tramas originais e misturando sua própria criatividade, Moffat, Gatiss e Steve Thompson (mais um roterista de Doctor Who) realizaram duas temporadas e já garantiram uma terceira, que somente deve estrear em 2013. Cada temporada possui três episódios de 1h30 de duração. Pode parecer muito longo, mas o ritmo e a agilidade de como a história é retratada faz com que o público não fique entediado. O que também contribui para que os episódios não fiquem chatos é a identificação do telespectador com os personagens, que resolvem os casos com bastante uso da internet e mensagens de texto. Sem contar que Watson agora é blogueiro. Mesmo com toda a modernidade instalada, alguns elementos como o chapéu característico de Sherlock e o número 221B gravado na porta da residência foram mantidos, não cortando totalmente o padrão canônico dos textos originais e dando o equilíbrio necessário para o drama funcionar.

Durante a primeira temporada, fomos apresentados aos personagens principais, nos acostumando com os seus relacionamentos. Também conhecemos Moriarty, o arqui-inimigo de Sherlock, que construiu o arco principal da trama. Nessa segunda temporada, tivemos um começo fantástico com a entrada da personagem de Irene Adler (interpretada por Laura Pulver, que fez a fada madrinha de Sookie em True Blood). Passando pelos cães de Baskerville e a participação de Russell Tovey (Being HumanHim & HerDoctor Who), chegamos ao grande season finale, com conto de fadas, ideias plantadas estilo Inception e a participação de Katherine Parkinson (The IT Crowd). A trama foi baseada no conto “The Final Problem”, no qual Doyle decidiu mostrar o confronto de Sherlock e Moriarty e matar ambos. Olhando para as temporadas, fica claro que a série só poderia ter sido escrita pelos roteristas de Doctor Who, uma vez que os personagens são basicamente os mesmos. Temos o gênio capaz de resolver qualquer enigma e sair de qualquer problema (Sherlock/Doctor); o fiel companheiro, que embora não seja tão inteligente, é indispensável para a resolução dos problemas (Watson/Companions); o arqui-inimigo louco tão esperto quanto o protagonista (Moriarty/The Master); e o interesse amoroso também genial que gera cenas de tensão e trapaça (Irene Adler/River Song).

 Em 2007, Moffat escreveu uma série de seis episódios relatando a história de O Médico e o Monstro chamada Jekyll. Apropriando-se de muito humor negro, o programa transformou um ótimo livro em algo tão bom quanto. O escritor está repetindo a dose em Sherlock em nível avançado. Com a falta de criatividade moderna, o remake de filmes e a roteirização de livros rotineiramente retalha os grandes clássicos. Mas quando uma adaptação é tão bem feita quantoSherlock, ela deve ser colocada como referência. Com as brilhantes atuações, roteiro exemplar e consistente, essa é já é uma série obrigatória para quem gosta de séries de TV.

Are You There, Chelsea?

17/02/2012

Descobri Chelsea Handler há alguns anos enquanto passava pelo E! Entertainment. Após assistir várias entrevistas de seu programa Chelsea Lately pelo YouTube, virei fã da apresentadora/comediante, que não esconde a valorização daquela fiel companheira que sempre está ao seu lado quando é necessária – e até mesmo quando não é – a Vodka! Handler também não se importa em andar pelos trilhos do politicamente incorreto e não filtra palavras e adjetivos em suas argumentações. Tendo em mente tais características e, após ler dois de seus livros (incluindo aquele que daria nome ao seriado), estava ansiosa pelo episódio piloto, que estreou ontem nos EUA pela NBC. Com Laura Prepon (That 70’s Show) assumindo o papel de Chelsea, a série procura contar as histórias parcialmente auto-biográficas relatadas nos livros da autora, principalmente os eventos de Are You There, Vodka? It’s Me, Chelsea, que virou best seller em 2008.

A comédia mostra-se consistente em seu formato, mas peca por seu ritmo acelerado. Vários personagens são apresentados no episódio, inclusive alguns que podem ser reconhecidos por aqueles que leram os livros, mas que não causam grande impressão nos que assistem sem nenhum conhecimento prévio. O mesmo acontece com o arco da história, mostrando logo de cara quatro eventos da vida de Chelsea, além de ambientar o público ao bar que provavelmente será o centro das futuras tramas. O piloto também não teve muito das sátiras e humor negro característicos da verdadeira Chelsea, e Prepon parece desconfortável no papel. No entanto, personagens que foram rapidamente apresentados possivelmente serão melhor explorados no futuro, o que potencialmente elevará o nível da narrativa.

Are You There, Chelsea não é das melhores sitcoms, mas é possível dar algumas risadas, além de contar com a participação da própria Chelsea no irônico papel de sua irmã certinha, Sloane. Considerando as outras comédias que estrearam na NBC durante a Fall Season (videWhitneyUp All Night e Free Agents), a série teve um começo razoável. O futuro depende de um melhor desenvolvimento de seus personagens, no equilíbrio entre as piadas e a trama propriamente dita e de Laura Prepon ficando mais relaxada no papel. Quem sabe tomando umas vodkas?


O Mito e a Psicologia em Stargate SG-1

04/01/2012

No livro Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo de Carl Jung, o autor afirma que “tanto nos mitos e contos de fadas, como nos sonhos, a alma fala de si mesma e os arquétipos se revelam em sua combinação natural”. Dessa maneira, podemos dizer que em qualquer tipo de história haverá elementos da psique humana, mesmo que o autor não tivesse a intenção de colocá-los. A série de televisão Stargate SG-1 (1997-2007) trata da descoberta de um grande círculo de metal capaz de criar “buracos de minhoca” estáveis, possibilitando uma viagem pelo tempo-espaço até outros planetas. Há várias características da mitologia grega e egípcia propositalmente colocadas no roteiro, como o encontro com um grupo de mulheres guerreiras agindo como Amazonas ou a nomeação da primeira nave espacial da Terra de Prometeu, mas é possível encontrar ainda outros elementos da Psicologia Analítica nas entrelinhas. O mais potente encontra-se no objeto que dá o nome ao seriado: o próprio Stargate (círculo de metal). De várias maneiras ele representa o inconsciente, forçando uma evolução e uma ampliação da consciência de todos que passem pelo seu interior. O simbolismo referente ao Stargate fica claro primeiramente pelo seu formato. Jung descreve que “os corpos redondos são formas semelhantes às que o inconsciente traz à tona através dos sonhos, das visões, etc”. Além disso, uma vez que é feita uma conexão entre a Terra e outro planeta, o interior do círculo enche-se com uma substância semelhante a água, a qual nada mais é o símbolo mais comum do inconsciente. Na mitologia grega, a água sempre foi um forte elemento nas tramas, como visto na gravidez de Etra, na morte de Egeu ou na aprovação de Minos como rei de Creta. “É o mundo da água, onde todo vivente flutua em suspenso, onde começa o reino “simpático” da alma de todo o ser vivo”.

O grupo militar da Terra que possui tal dispositivo o usa para explorar outras civilizações, tentando trazer conhecimentos e tecnologia que ajudem tanto os habitantes da Terra quanto na guerra contra os Goa’uld (raça parasita alienígena que usa seres humanos como escravos). Sempre que os grupos passam pelo stargate, eles encontram novas sociedades, as quais fazem com que os personagens e o telespectador reflitam sobre a sua própria. Jung coloca que, para se conhecer a fundo, é necessário encontrar-se com a sua sombra. Ela representa o lado oculto e reprimido de uma pessoa (para os fãs de Dexter, seu dark passenger). A sombra será cruel e  não poupará quem a encontrar, mas é vital para que esse auto conhecimento aconteça. Ao se deparar com terríveis sociedades que discriminam e matam parte de seus habitantes ou ingênuas populações que usam tecnologia avançada para se destruir no lugar de viver pacificamente, os membros que viajaram pelo “inconsciente” percebem não apenas suas sombras projetadas em outros indivíduos, mas também a sombra da sociedade como um todo. Sendo forçados a dialogar com essas pessoas, o grupo toma consciência de suas próprias ações, causando uma transformação pessoal.

Ao decorrer das temporadas, descobrimos que quem criou a rede de stargates foi uma velha raça denominada “Os Anciões”. Eles dominaram as galáxias durante muito tempo, até serem surpreendidos por uma praga. Alguns morreram, enquanto outros acenderam para um plano de existência superior, tornando-se energia. Tais fatos se encaixam na Psicologia Junguiana, uma vez que o círculo, a mandala, representa “um símbolo de totalidade por excelência, um redondo, um completo, um absoluto”. Assim como “Os Anciões”, é algo que sempre foi onipresente. Tendo essa imagem ligada ao fogo e à luz, os povos da antiguidade ligariam tais objetos (ou pessoas que saíssem por eles) com os deuses. Para manter os humanos em seu controle, os Goa’uld se passavam por deuses egípcios, como Rá, Apófis, Hathor e Anúbis. A crença era mantida pelos humanos justamente porque esses seres se locomoviam por meio dos stargates, sem contar que também possuíam grandes naves espaciais num formato parecido, novamente ligando o redondo ao supremo.

Enquanto alguns chamam os seriados americanos de “enlatados”, outros conseguem ver por debaixo da superfície e expandem seus conhecimentos. Nenhuma história existe como tabula rasa, uma vez que são criações de mentes que possuem um inconsciente razoavelmente autônomo. A mitologia e a psicologia analítica estão presentes em qualquer coisa desenvolvida pela mente humana, que está conectada por arquétipos coletivos (como um banco de dados de conteúdos básicos que todas as pessoas têm acesso desde seu nascimento) durante centenas de anos. Quem se interessar pelo assunto, fica a dica do livro já citado Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo e o artigo Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu, ambos de Jung.


Séries para Leigos: Miranda

26/12/2011

Durante uma das minhas visitas ao fantástico mundo do Tumblr, um usuário afirmou ter encontrado uma série que personificava essa ferramenta. Como eu acho a linguagem e o ritmo de tal esfera muito interessante e divertido, fui rapidamente me atualizar. É necessário poucos minutos para se apaixonar pela sitcom britânica Miranda. Com o visual retrô inspirado nos anos 70 e um roteiro hilário, o seriado é escrito e protagonizado pela comediante Miranda Hart. Ela interpreta uma mulher de 1,85 m de altura com 34 anos, a qual acha situações sociais desagradáveis e é um constante desapontamento para sua mãe por não ser casada. Ela é dona de uma loja de brincadeiras e quem a gerência é sua melhor amiga, Stevie. Miranda sempre foi apaixonada por Gary e quando este vira chef de um restaurante perto de sua loja, ela vê a oportunidade perfeita para tentar algo além da amizade. No entanto, por não possuir muitas habilidades sociais, isso se torna um tanto difícil.

Antes de se tornar série de TV, a trama fazia parte de um programa de rádio, chamado Miranda Hart’s Joke Shop. Em 2009, a história foi adaptada para o formato de televisão, e começou a ser exibida pelo canal BBC Two. Miranda já possui duas temporadas e a terceira será exibida pelo BBC One (provavelmente em 2012). O seriado atingiu grandes números de audiência na Inglaterra, fazendo com que Hart ganhasse prêmios em eventos como o British Comedy Awards e fosse indicada em várias categorias do BAFTA. Neste ano, a série participou do evento Comic Relief, em que se arrecada fundos para caridade (Doctor Who participa com quadros todos os anos). Uma das melhores características da série é que Miranda constantemente fala com a câmera, trazendo o telespectador para dentro da história e tornando-o testemunha e cúmplice de suas aventuras. Todo o episódio começa com um monólogo da atriz, que então diz “anteriormente na minha vida…”, e nos apresenta situações inéditas. Miranda não é uma comédia inteligente, mas com certeza é engraçada. Nada melhor para assistir depois daquele dia estressante. Veja um teaser da série.


Séries para Leigos: Absolutely Fabulous

16/12/2011

Jennifer Saunders e Dawn French se conheceram durante a faculdade. Elas passaram de estudantes brincalhonas a grandes comediantes com a consolidação do programa French & Saunders. O seriado consistia em vários quadros, fazendo paródia de filmes, cantores e a cultura pop em geral. Saunders escreveu um sketch chamado Modern Mother and Daughter para a terceira temporada do programa, o qual alguns anos mais  tarde viraria uma série com status cultAbsolutely Fabulous segue a trama do quadro original: uma mãe que nunca se recuperou dos anos 60 altamente dependente de sua filha careta. A roteirista adicionou então uma amiga que não funciona sem cigarros, álcool e drogas, fechando o trio principal da série. Dawn French e Jennifer Saunders seguiram então caminhos independentes. Ab Fab estreou em 1992 e seguiu com três temporadas até 1995. Em 1996, foram lançados dois episódios especiais de uma hora de duração, sendo considerados o final da história. No entanto, Saunders conseguiu reviver o programa em 2001, depois de escrever uma trama com personagens alternativos para o elenco. Mirror Ball seria uma nova série, mas acabou virando apenas um episódio extra, dando sequência a mais duas temporadas e três especiais de Absolutely Fabulous.

Numa época em que a sociedade estava cansada de seguir padrões e manter sua moralidade,  a série chegou como um protesto tendo duas protagonistas politicamente incorretas. Pelos diálogos sarcásticos, abusos verbais, egocentrismo exacerbado e o fato de Eddie (Jennifer Saunders) e Patsy (Joana Lumley) serem grandes nomes no mundo fashion (Eddie tem uma agência de relações públicas e Patsy é editora de uma revista de moda), a sitcom foi muito bem recebida na Inglaterra e em vários outros países, tendo como convidados especiais personalidades como Naomi Campbell, Jean-Paul Gaultier, Twiggy, Emma Bunton e Helena Bonham Carter. Devido ao sucesso do programa, um filme francês foi realizado em 2001 como um remake independente. Também houveram projetos para se desenvolver uma versão americana, a qual nunca chegou ao ar. Enquanto isso, a versão original foi votada como a 17ª melhor série britânica, e o episódio piloto “Fashion” entrou em 47º lugar na lista dos 100 melhores episódios de todos os tempos da TV Guide. Uma curiosidade é que o local onde fica a cozinha da casa de Eddie é usado para gravar as cenas da loja de brinquedos de Miranda.

A criadora de Absolutely Fabulous havia afirmado em 2004 que o seriado não teria continuidade. Mas, pela segunda vez, Saunders mudou de ideia anunciando  a produção de três novos especiais comemorando os 20 anos da atração. Os dois primeiros serão exibidos pela BBC no dia 25 de dezembro, contando com todo o elenco original. O terceiro deve ser transmitido durante as Olimpíadas. Uma característica interessante dos novos episódios será a implementação da tecnologia atual, incluindo iPads, tweets e vlogs. Um preview do especial de Natal pode ser visto aqui. As séries britânicas possuem temporadas curtas, mas podem percorrer décadas. Os fãs de Veronica Mars choram e torcem por um filme, enquanto os fanáticos por Ab Fab ou Doctor Who nunca perdem a esperança de ganhar uma nova temporada anos depois da mesma ser cancelada. Esse definitivamente é um ponto positivo da TV britânica.


Atores de ER em Séries Sci-Fi

16/12/2011

Durante um bom tempo fui super fã de ER, assistindo na integra suas 15 temporadas. Por isso achei interessante o fato de vários rostos conhecidos do drama(principalmente as mulheres) estarem aparecendo cada vez mais em programas com temática sci-fi. Comecei a perceber o padrão com Alex Kingston, que interpretou a Dra. Elizabeth Corday durante sete anos. Foi uma surpresa quando ela apareceu em Doctor Who como River Song, uma personagem complexa que está crescendo na série desde que apareceu pela primeira vez na quarta temporada. Kingston também participou de três episódios de FlashForward. Desde 2006, Doctor Who possui um spin-off chamado Torchwood. Depois de três temporadas inglesas, o canal Starz entrou como co-produtor da série trazendo-a para os EUA. Nessa quarta temporada americana, podemos encontrar Dr. Greg Pratt (Mekhi Phifer) como parte do elenco principal e a Dra. Amanda Lee (Mare Winningham) em um episódio.

A personagem de Winningham entrou em ER substituindo a Dra. Kerry Weaver como chefe de emergência. Weaver era interpretada por Laura Innes, que alguns anos mais tarde entraria emThe Event como líder de um grupo secreto. Na série médica, Innes contracenava também comLisa Vidal, que fazia a parceira gay de Weaver. No entanto, quem fez a personagem perceber que era homossexual foi a psiquiatra Kim Legaspi feita por Elizabeth Mitchell, que depois ficaria conhecida por LOST e V. Assim como a personagem de Mitchell fazia parte da resistência contra um ataque extraterrestre em V, o personagem de Noah Wyle faz o mesmo em Falling Skies. Antes de ser um combatente, ele era o Dr. John Carter, um dos doutores mais famosos – participando de 254 dos 331 episódios produzidos.

O canal SyFy ficou com três atrizes ex-ERMing-Na, a qual fazia a Dra. Jing-Mei “Deb” Chen, fez parte das duas temporadas de Stargate Universe e agora faz algumas participações em Eurekacomo a senadora Wen. Em Warehouse 13, série que já fez dois episódios crossover com Eureka, encontramos C.C.H. Pounder como a misteriosa Mrs. Frederic. Ela entrou em ER logo na primeira temporada como a Dra. Angela Hicks, permanecendo por três anos. A terceira atriz que pertence ao canal é Emily Rose, a qual protagoniza a série em que pessoas desenvolvem habilidades especiais na cidade de Haven. Ela fez parte apenas da última temporada de ER como a Dra. Tracy Martin. Para finalizar, temos Parminder Nagra aka Dra. Neela Rasgotra durante cinco temporadas. Nagra ainda não faz parte oficialmente do grupo de doutores que viraram viajantes do tempo ou resistência contra aliens, mas irá fazer a partir de 2012 quando estrear Alcatraz, a nova série de J.J. Abrams.

De fato os papeis femininos com características fortes estão ganhando mais destaque no universo da ficção científica, e as boas atrizes que já passaram por quarentenas, tiroteios, morte de entes queridos e as mais criativas emergências não perdem tempo. Sci-fi é um ótimo jeito de se contar histórias, pois é possível se falar a verdade sobre a sociedade sem uma repercussão defensiva da mesma. Além de se poder explorar várias possibilidades e teorias que em outros gêneros não funcionariam. Vocês acham que os ex-doutores estão fazendo um bom trabalho contando essas tramas fantásticas?


Doctor Who: A Sexta Temporada da Nova Era

16/12/2011

Doctor Who estreou em 1963 e conseguiu chegar em 2011 com 32 temporadas devido basicamente a um fator: mudança. Mesmo que o Doctor (como é conhecido) não seja humano, ele representa “o herói”. O conceito está ligado à mentalidade da sociedade em determinado período e está em constante transformação. Isso significa que na década de 60 o herói era um homem idoso, sábio por todas as experiências que já acumulou. Na década de 70, era um homem imprevisível com o cabelo cacheado enorme. Assim ele foi evoluindo (como a sociedade) até chegar em um jovemhipster. Não foi apenas o conceito de herói que mudou durante as décadas, mas a maneira de se fazer televisão, de se contar uma história e sua intensidade. Se o final da quinta temporada desta nova era fosse transmitido em décadas anteriores, cheio de paradoxos e viagens no tempo, a história não funcionaria. O público não iria entender. Mas o telespectador progrediu. Agora só assiste as temporadas clássicas quem é realmente fã, porque é necessário um esforço para acompanhar tramas lentas e monstros antiquados. O público evoluiu o suficiente para receber um personagem que não é perfeito, que deve tomar decisões difíceis, que não está sempre certo, mas que continua sendo herói – o que explica, inclusive, o sucesso de séries como Dexter e Breaking Bad.

De fato, a sociedade atual não aceita uma pessoa (mesmo sendo alien) ser perfeita, sem suas dualidades. O público não quer que um personagem de 900 anos não tenha um passado negro e um ego que precise ser controlado. É por isso que Russel T. Davies trouxe de volta à TV um Doctor que não apenas viaja acompanhado por diversão, mas por necessidade. E é quando o Doctor viaja sozinho que é possível ver fragmentos de sua personalidade antes escondidos. São fragmentos que o destruiriam devido a sua raiva (The Runaway Bride) ou que o deixariam mudar a linha do tempo simplesmente porque ele pode (The Water of Mars). E é por isso que quando Steven Moffat assume controle da série, ele pode brincar com a dualidade que mistura conto de fadas com uma camada obscura. Construindo essa realidade durante a quinta temporada, chegamos ao sexto ano desta nova era, que transformou Doctor Who em ícone também em outro continente. Foi uma temporada mais dark desde que o programa retornou em 2005 e, na minha opinião, a mais divertida. Conhecemos uma das criaturas mais legais do universo whovian, finalmente vimos a personificação da verdadeira protagonista da série, torcemos na luta física e emocional entre pessoas originais e suas cópias, descobrimos quem é River Song, lidamos com questões morais com duas Amys, reencontramos e nos despedimos de grandes amigos e tivemos toda a história da humanidade acontecendo ao mesmo tempo devido ao amor. Houve um problema aqui com piratas e outro alí com uma casa de bonecas, mas que não invalida a grandiosidade da temporada.

Russel T. Davies afirma que sempre que uma história é boa, há uma mudança em um ou mais personagens. No caso desta temporada, todos eles mudaram. Amy, Rory, River e o prórprio Doctor se depararam com situações que os fizeram entrar em contato com sentimentos e lógicas desconhecidas. Amy teve que lidar com seu preconceito na trama dos doppelgangers; ficou claro para Rory que ele nunca poderia ou que ele gostaria de ser como o Doctor, especialmente quando teve que escolher qual Amy seguiria em frente; anos de lavagem cerebral não foram suficientes para evitar que o momento certo com o Doctor mudassem River. E o Doctor, que começou a temporada aceitando sua morte apenas para descobrir que ele não estava pronto para isso. Além disso, o inevitável momento que os fãs de Doctor Who sempre temem também aconteceu: a despedida de seus acompanhantes.

Acostumados com as companions sendo jogadas em universos paralelos ou tendo suas memórias apagadas, imagino que os whovians ficaram alegres quando Rory e Amy tiveram um desfecho simples, porém elegante. A partida de ambos foi sendo preparada desde a estreia da segunda parte do ano, com o Doctor sentindo culpa por ter envolvido Rose, Martha e Donna em suas aventuras. Ele deveria parar antes que fosse tarde demais. Rory viu a consequência de se ter poder sobre o tempo e espaço em The Girl Who Waited, e o grande laço entre Amy e o Doctor foi cortado em The God Complex. Mas fora a separação feita cedo o suficiente? Teria Amy matado uma pessoa se ela não tivesse viajado com o Doctor?

Os personagens mudam, a trama muda, o público muda. E é assim que Doctor Who vai se inovando e conectando com a sociedade de qualquer época. Um homem louco com uma máquina do tempo é premissa o suficiente para a série continuar no ar durante muito tempo, mesmo com os eventuais hiatos de 16 anos.


Grimm, o Lado Sombrio dos Contos de Fada

16/12/2011

Jacob e Wilhem Grimm foram dois acadêmicos alemães que fizeram sucesso no século XIX. Entre outros projetos, os irmãos Grimm publicaram vários contos de folclore que coletaram durante anos conversando com, na maioria, aristocratas que repassavam histórias contadas por seus servos. Foi assim que nasceu a Branca de Neve, Rapulzel, Rumpelstilskin, João e Maria e muitos outros contos. Embora os livros fossem bem recebidos, haviam críticas que alguns dos textos seriam muito pesados para crianças, vez que as histórias eram destinadas à elas. Durante as décadas, essas histórias foram sendo modificadas, chegando aos (quase) inocentes clássicos da Disney. Mas assim como é interessante deixar os contos mais leves para crianças, deixá-los mais dark é um atrativo pra o público mais velho. Após vários livros e filmes explorando o assunto envolvendo desaparecimentos e assassinatos, a NBC Universal lança uma série que mistura elementos procedurais com a mitologia envolvida tanto na história dos próprios autores quanto em seus contos.

Diferente da série da ABC também com o mesmo tema de fantasia (Once Upon a Time), a premissa de Grimm é que todas as criaturas dos contos de fadas realmente existem, mas se escondem por trás de uma máscara humana. Há um grupo de caçadores, denominados Grimm, que lutam contra as forças do mal desses seres e que estão praticamente extintos. O protagonista da série é Nick, um detetive que após começar a enxergar monstros no lugar de pessoas, descobre ser descendente do grupo. De tal maneira, a série coloca em seu piloto a história da Chapeuzinho Vermelho como um caso para os policiais envolvendo um “lobo mau” serial killer.

Com esse clima obscuro, a série mostra-se promissora. O lado fantástico do episódio pode não ser tão apreciado devido às informações que são passadas para o telespectador, mas é o suficiente para entreter e criar expectativas. A sub-trama do piloto é bem desenvolvida, e nos faz pensar em que outras histórias infantis serão transformadas em casos policiais. O protagonista não possui nenhuma característica que o faça ser lembrado, fazendo com que sua tia (Kate Burton, de Grey’s Anatomy) seja bem mais intrigante. No entanto, é necessário considerar que Nick não possuia nada de chamativo até descobrir sobre o passado da sua família, então é bem provável que seu personagem ficará mais interessante ao passar dos episódios. Os efeitos especiais podem não ser obras primas, mas não causam uma quebra na trama fazendo o público notar mais as próteses ruins do que a história.

O elenco conta com Silas Weir Mitchell (24 HorasPrison Break) e Sasha Roiz (Caprica,Warehouse 13), além de roteiros e produção de veteranos das séries Buffy, a Caça-Vampiros eAngel. Com dois programas sobre contos de fadas no ar, fica a dúvida de qual chamará mais atenção do público: o mais fantasioso ou o mais sombrio.


As Estreias de Hart of Dixie, A Gifted Man e Prime Suspect

16/12/2011

Com as terríveis comédias e os dramas mal desenvolvidos, o Fall Season não está se revelando nada feliz em suas novas estreias. Nesse contexto, é um alívio que o novo drama médico Hart of Dixie tenha feito valer seus minutos iniciais mais do que Charlie’s Angels e companhia. A série narra a história de Zoe Hart, uma talentosa médica que deseja se tornar cirurgiã cardíaca. Quando seus planos não dão certo por conta da sua falta de sensibilidade, ela muda de Nova Iorque para uma pequena cidade no Alabama. A identificação com Zoe ocorre rapidamente, uma vez que o conhecido rosto de Rachel Bilson (The O.C.) é colocado em evidência. Bilson praticamente reprisa o papel de Summer Roberts, com uma personagem esnobe e fria, mas que ao poucos mostra que tem um bom coração. Embora a atriz não venda exatamente a imagem de uma médica profissional, ela conduz muito bem o drama e a comédia da história, junto com o simpático elenco que conta com Scott Porter (Friday Night Lights) e Cress Williams (Prison Break). Mesmo que o episódio inicie com o roteiro um tanto preguiçoso, com a protagonista dentro de um ónibus contemplando a paisagem e narrando sua trajetória com a ajuda de flashbacks, a trama consegue ficar interessante e ter reviravoltas que prendem o telespectador, o que, em se tratando de CW, é uma boa surpresa.

Já a CBS aposta não só em outro drama médico, mas sim em um com forte apelo sobrenatural. Em A Gifted Man, temos Patrick Wilson interpretando um médico renomado e já estabelecido. Ele é focado e altamente racional, mas sua lógica é rompida quando começa a ver o espírito de sua ex-esposa falecida. Wilson consegue passar muito bem a frieza necessária do personagem e é convincente na trajetória de um homem que pensa possuir um tumor no cérebro, mas que mais tarde começa a aceitar que realmente está sendo “visitando”. O elenco também conta com duas ótimas atrizes de Dexter: Julie Benz (que fazia a Rita) e Margo Martindale (que ganhou o Emmy recentemente pela participação em Justified). São justamente as duas que fortalecem a trama sentimental bem escrita da série, o que não é surpresa vindo da roteirista de filmes como Erin Brockovich28 Dias e Pegar e Largar. O problema, por enquanto, é falta de identidade da atração, que termina a história sem trazer nenhum momento realmente memorável e com umcliffhanger muito fraco. A Gifted Man até tem potencial, mas fica evidente que será necessário criar um ritmo próprio e uma identidade própria rapidamente.

Das séries médicas para uma policial, Maria Bello estreia na temporada como a detetive Jane Timoney, protagonista de Prime Suspect. A série, teoricamente é um remake da produção homônima britânica estrelada por Helen Mirren. Digo teoricamente porque elas possuem pouco em comum, deixando apenas pequenos aspectos, como a história base da personagem, parecidos. Provavelmente por possuir essa influência britânica, a série é mais morbida e brutal quando comparada a outros procedurals. Essa brutalidade estende-se tanto para diálogos (como quando uma criança fala que mataria o homem que assassinou sua mãe e Jane diz que o ajudaria) quanto para o físico (o realismo é grande quando Jane é atacada e leva vários socos no rosto). A protagonista não é nada glamurosa, fazendo com que a personagem de Mariska Hargitay em Law & Order: SVU se pareça com uma das garotas de Sex and the City. E mesmo contando com nomes como Kirk Acevedo (Fringe) e Aidan Quinn (Weeds), o elenco secundário não possui grande destaque, podendo causar certa confusão entre um personagem e outro. Assim, fica claro que o destino de Prime Suspect dependerá da resposta do público americano para uma série policial que tem uma realidade mais crua (lembrando que Southland, que seguia linha similar, foi cancelada no mesmo canal para só então retornar na TV paga).

Infelizmente, ainda não tivemos nenhuma estreia que fosse realmente fantástica, tirando a interessante Persons of Interest. Nesse panorama, vale a pena dar uma chance para as três séries que, mesmo com seus problemas, parecem ter potencial para render boas temporadas.


Filme: A Casa dos Sonhos

04/11/2011

Nada se cria, tudo de copia. Jargão utilizado bastante no meio cinematográfico, não possui uma conotação negativa necessariamente. O problema não é a cópia, mas a qualidade do resultado final. A Casa dos Sonhos, que estreia nos cinemas hoje, não é nada original, todavia tem potencial para surpreender o público. Digo potencial porque o filme possui essa qualidade, que é totalmente destruída pelo trailer. Assisti a obra com apenas uma lida rápida na sinopse. De tal forma, me surpreendi com as duas reviravoltas da trama, principalmente a primeira. Agora, se você viu o trailer, a graça do filme é quase totalmente perdida. A história trata de Will Atenton, que larga seu emprego de editor e muda-se com sua família para uma pequena cidade. Após algum tempo na casa nova, a família descobre que os donos anteriores foram assassinados, ao mesmo tempo que pessoas estranhas começam a ameaçá-los. Para os que não viram o trailer antes, a trama pode ser separada em duas partes bem distintas. Durante a primeira, o público tenta desvendar o mistério da casa: se estariam lidando com a volta de um assassino ou com algo sobrenatural. É então que há uma enorme virada na história. Somente quando o choque passa e as informações sendo dadas começam a fazer sentido novamente, é possível se ver envolvido numa busca que não poderia ter sido prevista (se não fosse pelo trailer, claro).

Mas com trailer ou não, um fator fundamental para que a história funcione é que seja criado um laço entre a família e o público, algo que é construído com sucesso nos primeiros dez minutos. As filhas são meninas fofas de 5 e 7 anos, impossíveis de não se apegar. A esposa é Rachel Weisz, uma atriz com o rosto conhecido por filmes com bastante carga emocional, que aqui não peca na atuação. A surpresa fica quanto ao carisma de Daniel Craig. Normalmente visto em papéis heróicos e impessoais, como emCowboys & Aliens, Craig mostra saber criar um personagem mais emocional e com afeto. O roteiro (de David Loucka) segue bem até quase o final, quando os clichês falam mais alto que a trama. Até então, mesmo com alguns deslizes, a história mostra-se coerente. Na investigação sobre os assassinatos, por exemplo, o clichê de achar uma película com informações importantes acaba mais verossímil devido ao projetor improvisado com uma lanterna e uma lente. A direção (Jim Sheridan) segue bem, criando um ambiente de tensão na primeira parte do filme e preparando o público para a grande virada. A direção de arte não deixa a desejar, percorrendo dois caminhos com texturas bem diferentes. As cores e a disposição dos objetos da casa criam um ambiente acolhedor e seguro, enquanto o frio e a solidão do inverno se arrasta para a casa em um segundo momento.

Mesmo com algumas falhas de roteiro e final corrido, A Casa dos Sonhos mantém um suspense sólido. O que realmente irá afetar as opiniões sobre o mesmo é se a pessoa assistiu o trailer. Posso até me tornar repetitiva nesse ponto, mas isso é de vital importância. Se você já chega no cinema sabendo da primeira virada da trama, tudo que é mostrado até tal ponto não é apreciado, e a segunda virada serve apenas como evento complementar, o qual não se sustenta sozinho. Por esse motivo, o filme pode ser ruim e sem originalidade ou desconcertantemente bom.


Doctor Who: Let’s Kill Hitler

17/10/2011

Post original do dia 31/08/2011

[contém spoilers] A trapaça de Kansas City acontece quando todos olham para a direita e você olha para a esquerda. No caso em questão, quando todos achavam que a história seria centrada em Hitler, mas o que vimos foi o início da jornada de uma fantástica personagem deste universo chamadaRiver Song. Steven Moffat novamente explode cabeças ao trancar o Führer no armário no começo do episódio e passar o resto dele matando o Doctor e evoluindo River. E é aqui que fica complicado. Se você é daqueles que necessitam de uma lógica linear e exata para entender e gostar de algo, esqueça. River Song é sinônimo de paradoxo. O fato do amor entre River e Doctor ser paradoxal (ela se apaixona por ele porque o Doctor sabe tudo sobre ela, mas ele só tem esse conhecimento devido ao tempo que River já havia passado com ele e vice-versa)  é fichinha ao se comparar com o fato de que a melhor amiga de Amy e Rory, a qual os uniu (!), é na verdade sua filha (o nome homenageado é o nome original). Ou seja, esqueça também o modo de educação familiar básico, porque aqui a criança é criada por sua mãe antes mesmo dela saber que tem uma filha. Lembrando que essa filha, diga-se de passagem, cresce com tendências psicopatas, cometendo atos ilegais e com um único objetivo, o qual, ao ser concluído, será completamente errôneo. Isto faz com que a mesma abra mão de sua imortalidade para ressuscitar o homem que ela passou toda sua vida querendo matar. Assim é Doctor Who: uma brilhante dor de cabeça com os ocasionais seres preconceituosos viajantes do tempo. Além de toda tramaRiver/Doctor/paradoxo/lavagem cerebral/redenção de lado, é preciso também mencionar a alegria que foi rever as companions passadas (mesmo que em holograma estático) e a nova atitude pró ativa e agressiva de Rory. Agora é tentar encaixar os eventos deste extraordinário Let’s Kill Hitlerem uma timeline wibbly-wobbly e pensar que na próxima semana será provado que monstros são, de fato, reais.


Filme: Cowboys & Aliens

24/09/2011

Quando ouve-se falar de um filme envolvendo cowboys e aliens na mesma trama, com roteiro de Damon Lindelof (LOST), Alex Kurtzman e Roberto Orci (Fringe), Mark Fergus e Hawk Ostby (Iron Man), e com Daniel Craig, Harrison Ford e Olivia Wilde (House) no elenco, é de se ficar, no mínimo, animado. Infelizmente, a expectativa supera a realidade quando temos um filme consideravelmente cansativo e personagens com pouco carisma. Cowboys & Aliens, que estreia hoje nos cinemas brasileiros, conta a história de um homem que acorda ferido no meio do deserto, sem memória e com um bracelete de metal preso em seu pulso. Ele chega até a pequena cidade de Absolution, onde cohece um grupo de pessoas com as quais seguirá viagem, interrompida bruscamente por um ataque alienígena. O filme é divertido, mas não passa disso. Seguindo as características de um western, a trama segue uma estrutura básica, em que a viagem toma a maior parte da trama, com um número reduzido de diálogos. Isso faz com que a produção mantenha um ritmo lento, salvo quando há lutas contra os alienígenas.

Tal monotonia não é o que se esperava quando se tem James Bond e Indiana Jones em cena, mas é explicável pelo estilo adotado pelo diretor Jon Favreu (aqui menos competente do que no ótimo Homem de Ferro). O verdadeiro revés do longa é a clara falta do fenômeno da identificação do público com seus personagens. Craig faz o tão conhecido pistoleiro solitário misterioso, mas assim como acontece com o seu James Bond e outros papéis, ele não passa a emoção necessária para que a audiência realmente crie um laço com ele. Seu interesse é voltado para Ella, uma mulher que esconde um segredo. Wilde fica então presa a uma personagem que poderia ser melhor desenvolvida e que acaba sendo apenas um rosto bonito na tela. O casal tem seus momentos, mas no geral saímos com aquela sensação de que falta algo. Quem praticamente salva o filme é Ford, ator talentoso que convence na interessante transição de vilão western para mocinho sci-fi. O elenco secundário é bem formado, com destaque para Sam Rockwell, que interpreta o dono de um saloon.

O ponto alto de Cowboys & Aliens fica com sua fantástica fotografia, que consegue retratar de maneira bela a mistura entre o antigo do suposto deserto do Arizona com a tecnologia de seres de outro planeta. Os aliens em si não são algo surpreendentes, com o visual pouco inventido parecido com as criaturas de um filme de J.J. Abrams. O interessante mesmo são as naves, que por mais futurísticas que sejam, capturam os humanos com laços. Um detalhe que faz diferença. Cowboys & Aliens não é um filme ruim, mas não atende as exigências que se esperaria de uma produção com tantos nomes de peso envolvidos, embora, como sempre aponta o crítico Pablo Villaça, um roteiro tratado a 10 mãos tem grandes chances de não ser dos melhores, servindo apenas como um passatempo para aqueles que gostam do cult e do high tech.


Doctor Who: Quem é River Song?

17/09/2011

[Esse texto foi publicado originalmente no dia 11/05/2011, logo após a exibição do segundo episódio da sexta temporada, no site LiGado em Série.]

Ela aparece sem aviso algum. Sabe o nome real do Doctor, consegue pilotar a TARDIS melhor que ele mesmo e possui um diário com todo o futuro dele.River Song – a personagem mais complexa e enigmática do universo Who. Desde que ela apareceu na 4ª temporada, todos se perguntam quem é essa mulher que discute, argumenta e age em um nível similar do Doctor. Durante a 5ª temporada, a questão foi ficando ainda maior, pois mais fatos de sua vida foram revelados. Finalmente chegamos na 6ª temporada, em que Steven Moffat promete mostrar a verdadeira identidade de River. Mas se você gosta de especular, há uma teoria que bate muito bem com os fatos mostrados durante os oito episódios que a Dra. Song aparece. Seria ela a futura Amy Pond? Seria uma próxima regeneração do próprio Doctor? Ou seria uma personagem recém apresentada?

Primeiramente, vamos falar sobre a linha do tempo de River. Já ficou bem claro que River e o Doctor viajam em direções opostas – enquanto ela o conhece mais, ele a conhece menos e vice-versa. Analisando os episódios passados, é possível criar a timeline do ponto de vista de River. No entanto, devemos levar em conta que ela é uma viajante do tempo, então é difícil colocar em uma linha reta o que deve ser uma coisa wibbly wobbly timey wimey. De qualque forma, é preciso entender que, como estamos vendo os eventos do ponto de vista do Doctor, toda vez que vemos River ela é uma versão diferente da personagem.  A versão mais velha é a da Biblioteca, quando a primeiro conhecemos. A versão mais nova é a da aventura nos EUA, que vimos nos episódios de estreia do 6º ano. Segue um simples gráfico para tornar a idéia mais clara:

É evidente que a Biblioteca é o último lugar onde River vai, pois trata de sua morte. Nesse episódio, ela cita os eventos da Queda de Bizâncio, o Piquenique em Asgard (o qual aconteceria mais cedo para o Doctor) e a noite em Dorillian, que teria acontecido logo antes dela ir à Biblioteca. Na segunda vez que a vemos, estamos em Alfava Metraxis, quando a nave contendo um Weeping Angel cai no Bizâncio. River cita Bone Medows, um evento localizado no começo de seu diário. Ao final do episódio, ela revela que eles se encontrarão novamente quando a Pandórica abrir, deixando claro que este evento é posterior ao vivenciado no final da temporada. É possivel colocar os EUA antes de Pandórica pelo fato de que ela ainda está na prisão e pelo que é dito após o beijo. Enquanto aquele é o primeiro beijo para o Doctor, é o último para ela, pois a partir de então ele a conhecerá cada vez menos (eles não se beijam no Bizâncio, na Pandórica ou na Biblioteca). Dorillian demonstra o fator timey wimey citado anteriormente. Teoricamente, por ser o último evento de River antes da Biblioteca, ela deveria ter encontrado um Doctor novo, que quase não a reconhecesse. Mesmo assim, ela descreve uma noite íntima, na qual qual ele a presenteia com a chave sônica do futuro e derrama lágrimas por saber de sua morte. Se olharmos para a linha do tempo de trás para frente, temos a ordem que nós e o Doctor estamos encontrando River Song. Quando entendemos isso, a cena da Biblioteca em que o Doctor diz que não a conhece faz muito mais sentido, e fica extremamente mais triste. Principalmente quando juntamos esse conhecimento como a fala de River no episódio 6×01: “Fico ansiosa por nossos encontros, mas sei que toda vez que isso ocorre, ele estará um pouco mais distante. E o dia está chegando em que aquele homem me olhará, meu Doctor, e ele não terá a mínima ideia de quem eu sou. E eu acho que isso vai me matar”. Uma trágica história de amor.

Agora que já entedemos como funciona a linha do tempo de River, vamos para a parte mais importante: sua identidade. Teorias como “River Song é Amy Pond” e “River Song é o Doctor” podem ser facilmente descartadas por vários motivos, mas a principal razão é porque interagir com o passado pode abrir um buraco no universo (sem contar que seria errado em vários níveis o Doctor beijar a si mesmo). Então o que é viável? Para mim e todos que acreditam nessa teoria, a resposta foi dada no início dessa temporada. River Song seria a filha de Amy, a qual é a garotinha que fugia do Astronauta e que se regenerou ao final do episódio. Pense bem, quando Amy tivesse seu bebê, o Doctor estaria ao seu lado. Por algum motivo, ele descobriria que a menina é River,  e esse é um assunto que ele conhece bem. A razão pela qual River se apaixona pelo Doctor é porque ele sabe tudo sobre ela, assim como o Doctor a ama por ter um conhecimento mais avançado que o seu. Eles estão presos em um ciclo vicioso temporal, pois River só possui esse conhecimento devido ao tempo que passou com o Doctor, e o Doctor só sabe da vida de River devido ao tempo que ela passou com ele – um instiga o outro. Viagem no tempo, um tópico absolutamente fascinante.

Mas voltando à teoria. Ao final do episódio Day of The Moon, Amy diz que estava preocupada que seu bebê sofresse de algum efeito causado pelo tempo que ela passou na TARDIS. Sua filha pode não ter uma “cabeça temporal”, mas poderia muito bem adquirir a habilidade de se regenerar. No mesmo episódio, a TARDIS não consegue identificar com certeza se Amy está grávida ou não. Isso me parece o resultado de duas realidades se sobrepondo (em uma Amy está grávida, na outra não), o que poderia ter sido causado pelo Silêncio. Esse efeito poderia ser a causa do mal estar de Amy e River após o encontro com a criatura (Amy estaria se sentindo mal por “perder” o bebê, consequentemente apagando a existência de River). A mulher com o tapa olho que Amy viu no 6×01 e 6×03 também poderia ser dessa suposta realidade alternativa, na qual ela não estaria grávida. Mas isso não é o que me preocupa. Presumindo que River é a filha de Amy, assim como a garotinha, por que ela está sozinha em 1969? Onde está o Doctor, Amy e Rory? Um outro fato que acho bem interessante é que, considerando a morte do Doctor legítima  em The Impossible Astronaut, isso significa que River passa o resto da sua vida sabendo como ele irá morrer, e o Doctor também sabe todo o tempo como é o fim de River na Biblioteca. Uma situação poética e triste, como grande parte da escrita de Steven Moffat.

O que vocês acham da teoria? Faz sentido ou vocês tem uma visão diferente? Poderíamos esperar a temporada responder quem é River Song, mas qual seria a graça disso?


Filme: Super 8

10/09/2011

Por Bruno Carvalho & Camila Picheth

Steven Spielberg e J.J. Abrams começaram suas carreiras utilizando câmeras Super 8 para seus projetos, que foram lançadas em 1965. Eles também sempre demonstraram paixão pelo oculto e pelo sobrenatural, aspectos rotineiramente presente em suas obras. Por isso, Super 8 - que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira 12 de Agosto – é o fruto desta inevitável e bem-vinda parceria. Ambientado no verão de 1979 no interior americano, o filme conta a história de um grupo de garotos que se depara com um evento extraordiário enquanto filmavam um curta de zumbis: um terrível acidente de trem que esconde mais do que eles poderiam imaginar. E em vez de roteitistas, diretores e técnicos de uma produção cinematográfica amadora, os garotos passam a ser os protagonistas de uma aventura extraterrestre.

Este seria um filme-catástrofe clássico se conduzidos por outros cineastas, mas o roteiro de J.J. Abrams (com produção de Spielberg) traz um enfoque particular, costurando de forma singela a narrativa através da paixão platônica de Joe Lamb (Joel Courtney) com a garota Alice (Elle Fanning). Super 8 ainda se apresenta como uma clara homenagem à obra de seus realizadores, trazendo elementos dos filmes Contatos Imediatos de Terceiro GrauE.T., Os GooniesCloverfield,Guerra dos Mundos e, claro, das séries LOST Fringe. Tecnicamente o filme também não deixa a desejar, com um figurino e design de produção tangíveis, inspirados em boa parte na coleção particular de revistas de Super 8 de Abrams. Os planos são construídos de maneira exemplar, captando os detalhes da cidade fictícia e retratando com eficiência as cenas de ação e a gradual descoberta pelos garotos da criatura que está à solta, mas que sabiamente é mantida oculta em boa parte da projeção.

Abrams intercala romance e mistério em Super 8 com eficiência, sem se render ao sentimentalismo barato e aos clichês. Além disso, o escritor apresenta diversas tramas paralelas que se complementam com a história principal sem ofuscá-la, notadamente aquela iniciada com a morte da mãe de Joe e esposa do policial Jackson, que é vivido com energia pelo ótimo Kyle Chandler (Friday Night Lights). Infelizmente, não posso dizer que a criatura de Super 8 é das mais inventivas (o que mais desapontou), pois sua aparência nada mais é que a soma de vários aliens visto nos cinemas nos últimos anos, incluindo Independence Day e até mesmo os aracnídeos toscos de Falling Skies (também de Spielberg). Mas felizmente o filme é capaz de surpreender e destoar do gênero com uma resolução inesperada em seu terceiro  e final ato. É uma grande homenagem aos filmes de mistério e aventura da década de 80 – uma homenagem singela de Abrams aos filmes de Spielberg que todos nós crescemos assistindo.


Torchwood: Miracle Day

04/08/2011

Atenção: Spoilers!

O sarcasmo, o lado sombrio dos personagens e o humor negro tipicamente inglês foi o que me chamou atenção quando esse spin-off foi lançado. Doctor Who é fantástico, mas por ser um seriado familiar e parte da cultura inglesa, ele tem que ser um tanto quanto moderado e inocente.Torchwood nasceu destinado a uma faixa etária elevada, prometendo usar e abusar dos elementos bizarros e politicamente incorretos da premissa do programa. E a promessa foi comprida. Toda semana havia aquele aspecto grotesco, aquelas criaturas que lhe embrulhavam o estômago e decisões difíceis sendo tomadas, sempre beirando a subjetiva moralidade. E isso foi Torchwood UK, funcionando perfeitamente durante três temporadas. Miracle Day é uma nova série. Isso já estava implícito desde que a Starz virou co-produtora, e a história foi para solo norte-americano. Era óbvio que a textura do seriado iria mudar, agora com um orçamento muito maior e com o aumento da audiência destinada. Consequentemente, a série não poderia ser mais tão dark como antes. O ponto é que não adianta ficar comparando muito as duas versões. Torchwood US é o que temos agora. Captain Jack Harkness e Gwen Cooper estão de volta, inseridos em uma trama que promete. Resta torcer para que os roteiros de Russell T. Davies não sejam muito podados e que a história funcione como um todo.

“No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolumente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma pertubação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes de história universal, nem ao menos uma caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante (…)”. Tal trecho é o começo do livro As Intermitências da Morte, de José Saramago. Ele retrata um universo no qual a humanidade perdeu o dom da mortalidade, e todas as consequências desse fato. Torchwood, mesmo com apenas dois episódios exibidos até o momento, mostra seguir a história do livro e, se continuar assim, é de se esperar grandes dilemas éticos e morais no futuro. Os dois episódios foram meio parados, ainda que com muitos cortes rápidos. Mas isso é necessário para que o novo público se acostume e acompanhe a trama. O importante foi mesmo o retorno dos dois únicos sobreviventes do instituto britânico. Adorei a atuação de Eve Myles, com uma Gwen que claramente sentia falta de toda a ação. Também foi interessante o choque de sotaques. Quem assistia a série antiga estava acostumado com todo aquele sotaque britânico/galês e somente Jack americano. Agora é Gwen quem se destaca, com um delicioso sotaque galês (e ela não perde nenhuma oportunidade para reafirmar sua nacionalidade) no meio de tanto americano. Como bônus, Rhys ficou em Gales  com o bebê (me desculpe quem gosta do casal, mas eu não suporto o cara desde a primeira temporada). Foi ótimo rever Jack depois de tanto tempo, mas ele parece fora de personagem. Não fez suas piadas e tiradas típicas e, o pior, não flertou com ninguém! Era de se esperar que os eventos da terceira temporada tivessem algum efeito sobre ele, mas teria Jack mudado tanto assim?

Também temos Mekhi Phifer, como o egocêntrico agente da CIA Rex (eu ainda vou escrever um artigo sobre esse pessoal de ER que tomou gosto pelas series sci-fi). Ainda não gosto muito dele, mas também não o odeio. As atrizes que interpretam a analista Esther e a Doutora Vera fazem um bom trabalho, e acho que suas personagem têm potencial para cativar o público. Mas na minha opinião, os verdadeiros acréscimos para a série foi Bill Pullman e Lauren Ambrose. Sabia que Pullman iria arrasar na interpretação, mas o que me deixou surpresa foi o caráter de seu personagem. Ele normalmente faz papéis cômicos, e o assistir como um assassino é interessante. Espero que seu desempenho seja algo semelhante o de John Lithgow, na quarta temporada deDexter. Ao ver Ambrose, já fiquei com vontade de reassistir Six Feet Under. A ex-Claire Fisher entra com uma personagem frenética, e que provavelmente será um problema para a equipe. Resumindo, estou feliz que a série tenha voltado, mesmo que diferente. Ainda é necessário mais alguns episódios para se formar uma opinião mais sólida, mas Miracle Day está se mostrando uma boa temporada. Para os que curtem uma interatividade de mídias digitais, fica a dica deTorchwood: Web of Lies (meio que seguindo o estilo dos jogos da iniciativa Dharma, de Lost). A BBC lançou o aplicativo que, após cada episódio ser exibido, é liberado um mini episódio emmotion comic, narrado por Eve Myles, John Barrowman e Eliza Dushku (Dollhouse). São duas histórias simultâneas: uma que se passa em 2007, com Gwen e Jack, e outra durante os eventos de Miracle Day. Você deve resolver alguns problemas de raciocínio para poder seguir em frente. O primeiro mini episódio é grátis e os outros são acumulados em pacotes de três, custando um dólar por pacote.


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