A Caminhada dos Mortos-Vivos

Eles não surgiram do nada, não saíram da cabeça de um único autor que resolveu criar uma criatura primitiva e violenta que deseja comer cérebros. Não, sua história é mais antiga, mais sorrateira. Ela começa em contos sombrios: em mitos e folclores que retratam demônios que se alimentam de carne humana. No século XIX, a sua história se torna mais verossímil, com o monstro descrito por Mary Shelley em Frankenstein. No lugar de entidades vindas do inferno, temos um ser humano (na verdade, vários pedaços de humanos diferentes) que volta à vida através da ciência. Depois disso, eles começam a tomar características mais conhecidas nos livros de H.P. Lovecraft e no filme White Zombie, de 1932. Embora vários outros contos e filmes já englobassem sua mitologia nessa época, foi em 1968 com George A. Romero, que os zumbis fizeram sucesso e viraram um marco na cultura popular.

A partir de então, foi criada uma vasta linha variada de zumbis, seja nos livros de Stephan King, nos jogos de videogame de The House of the Dead ou nos filmes estilo Extermínio. É zumbi lento, zumbi rápido, zumbi resultado de feitiço, zumbi criado por um vírus, zumbi geneticamente modificado, zumbi na era vitoriana, zumbi dançarino, zumbi que não tolera luz e até… zumbi que brilha? Não, ainda bem que nunca ousaram criar tal obscenidade. Embora vários filmes, livros e jogos tenham sido criados em cima de tal conceito, nunca foi produzida uma série de TV. Claro, já tivemos zumbis aparecendo em episódios de vários seriados, como Arquivo X, Buffy e Medium. Também já tivemos os mortos-vivos em uma minissérie britânica chamada Dead Set, mas nada de série propriamente dita. Isso muda no final desse ano, com a estreia de The Walking Dead.

Baseada nas histórias em quadrinhos criadas por Robert Kirkman e lançadas em 2003, teremos um programa centrado em personagens tentando sobreviver em um ambiente dominado por zumbis. Então você diz: “Com tanto filme já feito, por que assistir uma série de zumbi? Vai ser um saco; sempre a mesma coisa!”. Mas é aí que você se engana. O interessante de uma série é que é possível desenvolver uma mitologia, algo que os filmes não podem fazer devido ao seu tempo limitado. Salvo produções como Resident Evil, que possui uma saga, os outros filmes só podem mostrar um pedaço da história, com personagens já construídos. O efeito de um apocalipse gera reações diferentes em cada indivíduo, e é essa transformação de personalidade que poderemos acompanhar a cada episódio; além de zumbis famintos atacando qualquer um que cruzar seu caminho. Diferente do que muitos pensam, The Walking Dead não será um seriado de terror sobre zumbis comendo pessoas, mas um seriado dramático relatando a luta de indivíduos tentando se adaptar a uma nova realidade. O que acontece quando se remove a lei e o governo de uma sociedade, a qual agora vive com medo constante? Pois é o que iremos descobrir nesse novo projeto do canal AMC.

A série está prevista para outubro e, enquanto a data não chega, você pode conferir as HQs já lançadas. Outra possibilidade é assistir os inúmeros filmes de zumbis já produzidos: que tal algumas obras originais de Romero? Ou alguns clássicos como Re-Animator? Prefere um pouco mais de Robert Rodriguez em Planeta Terror? Ou seu estilo é mais comédia com Zumbilândia? Seja qual for o gênero ou a época, o importante é ficar atento. E lembre-se: Mire sempre na cabeça!

Texto em colaboração com o blog LiGado em Série

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5 Responses to A Caminhada dos Mortos-Vivos

  1. Bruno disse:

    Excelente texto. Assisti Dead Set e a ideia da produção me agradou muito, pena os poucos episódios. Espero que The Walking Dead mescle bem o terror com humor e, claro, dure anos na TV.

  2. Lucas Santtos disse:

    Ótimo texto. Com certeza essa é uma das mais aguardada da Fall Season e eu não tenho dúvida que sera uma ótima série. Esperando que outubro chegue logo!

    @lucas_santtos

  3. petrucio disse:

    ainda bem que zunbi e so ficsao

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