Filme: Super 8

Por Bruno Carvalho & Camila Picheth

Steven Spielberg e J.J. Abrams começaram suas carreiras utilizando câmeras Super 8 para seus projetos, que foram lançadas em 1965. Eles também sempre demonstraram paixão pelo oculto e pelo sobrenatural, aspectos rotineiramente presente em suas obras. Por isso, Super 8 – que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira 12 de Agosto – é o fruto desta inevitável e bem-vinda parceria. Ambientado no verão de 1979 no interior americano, o filme conta a história de um grupo de garotos que se depara com um evento extraordiário enquanto filmavam um curta de zumbis: um terrível acidente de trem que esconde mais do que eles poderiam imaginar. E em vez de roteitistas, diretores e técnicos de uma produção cinematográfica amadora, os garotos passam a ser os protagonistas de uma aventura extraterrestre.

Este seria um filme-catástrofe clássico se conduzidos por outros cineastas, mas o roteiro de J.J. Abrams (com produção de Spielberg) traz um enfoque particular, costurando de forma singela a narrativa através da paixão platônica de Joe Lamb (Joel Courtney) com a garota Alice (Elle Fanning). Super 8 ainda se apresenta como uma clara homenagem à obra de seus realizadores, trazendo elementos dos filmes Contatos Imediatos de Terceiro GrauE.T., Os GooniesCloverfield,Guerra dos Mundos e, claro, das séries LOST Fringe. Tecnicamente o filme também não deixa a desejar, com um figurino e design de produção tangíveis, inspirados em boa parte na coleção particular de revistas de Super 8 de Abrams. Os planos são construídos de maneira exemplar, captando os detalhes da cidade fictícia e retratando com eficiência as cenas de ação e a gradual descoberta pelos garotos da criatura que está à solta, mas que sabiamente é mantida oculta em boa parte da projeção.

Abrams intercala romance e mistério em Super 8 com eficiência, sem se render ao sentimentalismo barato e aos clichês. Além disso, o escritor apresenta diversas tramas paralelas que se complementam com a história principal sem ofuscá-la, notadamente aquela iniciada com a morte da mãe de Joe e esposa do policial Jackson, que é vivido com energia pelo ótimo Kyle Chandler (Friday Night Lights). Infelizmente, não posso dizer que a criatura de Super 8 é das mais inventivas (o que mais desapontou), pois sua aparência nada mais é que a soma de vários aliens visto nos cinemas nos últimos anos, incluindo Independence Day e até mesmo os aracnídeos toscos de Falling Skies (também de Spielberg). Mas felizmente o filme é capaz de surpreender e destoar do gênero com uma resolução inesperada em seu terceiro  e final ato. É uma grande homenagem aos filmes de mistério e aventura da década de 80 – uma homenagem singela de Abrams aos filmes de Spielberg que todos nós crescemos assistindo.

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