Filme: A Casa dos Sonhos

Nada se cria, tudo de copia. Jargão utilizado bastante no meio cinematográfico, não possui uma conotação negativa necessariamente. O problema não é a cópia, mas a qualidade do resultado final. A Casa dos Sonhos, que estreia nos cinemas hoje, não é nada original, todavia tem potencial para surpreender o público. Digo potencial porque o filme possui essa qualidade, que é totalmente destruída pelo trailer. Assisti a obra com apenas uma lida rápida na sinopse. De tal forma, me surpreendi com as duas reviravoltas da trama, principalmente a primeira. Agora, se você viu o trailer, a graça do filme é quase totalmente perdida. A história trata de Will Atenton, que larga seu emprego de editor e muda-se com sua família para uma pequena cidade. Após algum tempo na casa nova, a família descobre que os donos anteriores foram assassinados, ao mesmo tempo que pessoas estranhas começam a ameaçá-los. Para os que não viram o trailer antes, a trama pode ser separada em duas partes bem distintas. Durante a primeira, o público tenta desvendar o mistério da casa: se estariam lidando com a volta de um assassino ou com algo sobrenatural. É então que há uma enorme virada na história. Somente quando o choque passa e as informações sendo dadas começam a fazer sentido novamente, é possível se ver envolvido numa busca que não poderia ter sido prevista (se não fosse pelo trailer, claro).

Mas com trailer ou não, um fator fundamental para que a história funcione é que seja criado um laço entre a família e o público, algo que é construído com sucesso nos primeiros dez minutos. As filhas são meninas fofas de 5 e 7 anos, impossíveis de não se apegar. A esposa é Rachel Weisz, uma atriz com o rosto conhecido por filmes com bastante carga emocional, que aqui não peca na atuação. A surpresa fica quanto ao carisma de Daniel Craig. Normalmente visto em papéis heróicos e impessoais, como emCowboys & Aliens, Craig mostra saber criar um personagem mais emocional e com afeto. O roteiro (de David Loucka) segue bem até quase o final, quando os clichês falam mais alto que a trama. Até então, mesmo com alguns deslizes, a história mostra-se coerente. Na investigação sobre os assassinatos, por exemplo, o clichê de achar uma película com informações importantes acaba mais verossímil devido ao projetor improvisado com uma lanterna e uma lente. A direção (Jim Sheridan) segue bem, criando um ambiente de tensão na primeira parte do filme e preparando o público para a grande virada. A direção de arte não deixa a desejar, percorrendo dois caminhos com texturas bem diferentes. As cores e a disposição dos objetos da casa criam um ambiente acolhedor e seguro, enquanto o frio e a solidão do inverno se arrasta para a casa em um segundo momento.

Mesmo com algumas falhas de roteiro e final corrido, A Casa dos Sonhos mantém um suspense sólido. O que realmente irá afetar as opiniões sobre o mesmo é se a pessoa assistiu o trailer. Posso até me tornar repetitiva nesse ponto, mas isso é de vital importância. Se você já chega no cinema sabendo da primeira virada da trama, tudo que é mostrado até tal ponto não é apreciado, e a segunda virada serve apenas como evento complementar, o qual não se sustenta sozinho. Por esse motivo, o filme pode ser ruim e sem originalidade ou desconcertantemente bom.

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One Response to Filme: A Casa dos Sonhos

  1. Aguardo ansiosamente! quero garantir ingressos no Cinemark até pq lá posso trocar pelos bônus em Piiis que ganho da InteligWeb.
    é mto bom ter uma internet que me paga por usar. Fica a dica http://bit.ly/jV1dY4 😉

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