Crítica: Prometheus

Nos comentários de Alien (versão do diretor, de 2003), Ridley Scott admite não ter feito um filme sci-fi depois de Blade Runner porque não achou mais nenhuma ideia única. Ele também expressa a vontade de explorar quem era o Space Jockey, que aparece no começo do filme que fez a fama do diretor no mundo cinematográfico. Com um visual espetacular, Prometheus traz o terror de volta ao gênero sci-fi e explora os acontecimentos pré-Alien. O longa peca em alguns aspectos se visto como uma obra independente, mas é fenomenal como o prólogo da história do alienígena que explode o tórax de seu hospedeiro.

Ridley tentou despistar os fãs dizendo que Prometheus não seria relacionado com seu segundo filme. Mas muitos já sabiam que o Sr. Scott é um grande mentiroso. A história segue dois cientistas que descobrem um padrão estrelar em diversas culturas antigas, e viajam até outra galáxia seguindo o “mapa”. Ao se deparar com um planeta nas coordenadas corretas, a tripulação  encontra muito mais do que esperavam. Com as mais variadas referências, o longa reconstrói o universo criado pelo diretor há 33 anos. Está tudo lá: a raça do Space Jockey, o estado primitivo do facehugger, a companhia Weyland, o andróide na tripulação, o terror causado pela criatura parasita e a mensagem que a equipe do Nostromo recebe no começo do filme de 1979. Não tem como um fã de Alien sair do cinema sem um grande sorriso no rosto.

No entanto, se uma pessoa assistir à produção sem ter a mínima ideia do que são as coisas citadas acima, sua resposta à trama será diferente. Como um filme independente, a mistura de querer explorar a origem dos humanos e criar um ambiente de terror e pânico é falha. Nesse momento, o longa pode parece ambicioso demais. Mas sem importar o passado cultural do público, a opinião sobre o visual e as atuações poderá seguir com certa unanimidade. Noomi Rapace (Os Homens que Não Amavam as Mulheres) convence em seu papel inocente, mas que cria uma coragem fantástica quando necessário. Michael Fassbender (Shame) arrasa como o robô David, aprendendo e imitando idiossincrasias humana, exibindo seu lado emocional dentro da lógica e seguindo seu próprio plano. Charlize Theron (Branca de Neve e o Caçador) mantém o nível, interpretando alguém que pode se comparar a um robô, mas mostrando emoções quando deparada com situações tensas. Sua personagem é interessante, e é uma pena que não foi melhor utilizada. Guy Pearce (O Pacto) está irreconhecível, e assim como Charlize, fica com um papel secundário que poderia ser melhor desenvolvido.

Diferente do roteiro de Dan O’Bannon (Alien), a trama se preocupa com o passado dos personagens, mas acaba por revelar informações desnecessárias. O interessante é que Damon Lindelof e Jon Spaihts colocaram em seu texto características da história de Blade Runner, com a necessidade da criação se encontrar com seu criador e a obsessão de conseguir mais tempo de vida. Mesmo com ocasionais erros no roteiro, algo que não decepciona é o visual do filme, o qual o 3D engrandece e destaca. A atmosfera fria, solitária e assustadora cheia de camadas fica ótima com a utilização correta da tecnologia.

Ridley quer que Prometheus faça sucesso por si próprio, mas a verdade é que a opinião pública irá variar conforme sua apreciação por Alien. No final da trama, conseguimos enxergar o futuro da quadrilogia dominada por Ripley, assim como uma continuação que o diretor obviamente gostaria de fazer.

Nota: 4,0

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