Terry Gilliam volta ao gênero sci-fi depois de 18 anos

13/08/2012

Conhecido como o visionário diretor de Brazil (1985) e 12 Macacos (1995), Terry Gilliam dedicou a maior parte das duas últimas décadas para filmes de fantasia, como Os Irmãos Grimm e O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus. Agora, ele retorna para o sci-fi com o filme The Zero Theorem, que já tem Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) como protagonista. Com psiquiatras virtuais, clones e uniformes que possibilitam viagens para dentro da alma, confira a sinopse do longa:

Vivendo num mundo corporativo no estilo de George Orwell, em que “homens-câmera” servem como os olhos de uma figura sombria conhecida apenas como Direção, Qohen Leth (Waltz) trabalha na solução de um estranho teorema enquanto vive como um monge virtual fechado em sua casa (uma capela danificada num incêndio). Seu isolamento é interrompido por Bob, que cria uma roupa capaz de levar Leth para dentro de si mesmo numa realidade virtual. Ele irá se deparar com dimensões escondidas e a verdade de sua alma, na qual estão as respostas que ele e a Direção estão atrás. A roupa e a tecnologia de suporte irá criar um inventário da alma de Qohen, provando ou não o Teorema Zero.

Tipo, oi? Esse parece ser daqueles filmes que têm tudo para dar errado, mas é bem provável que funcione nas mãos de Gilliam. O projeto existe desde 2009, e deverá começar a ser rodado em outubro. Isso se as gravações não sejam canceladas como aconteceu com The Man Who Killed Don Quixote. Rezemos.


Crítica: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

27/07/2012

Christopher Nolan não tem que provar nada a ninguém. Além da trilogia do Cavaleiro das Trevas, ele é responsável por escrever e dirigir os filmes Amnésia, O Grande Truque e A Origem. Por isso a pergunta desse terceiro filme nunca foi se ele seria bom, mas o quanto épico. Nolan não só manteve todos os aspectos que vinham contribuindo para a trilogia, mas dobrou a dose nesse evento final de 2h45 de duração. O Coringa espalhou terror pelos cidadãos de Gotham City e fez da cidade seu próprio playground, mas isso não foi nada comparado ao que Bane tem planejado para o lugar. A violência aumenta, o drama é constante e as decisões éticas e morais de cada personagem serão questionadas todo o tempo enquanto vemos a ascensão de um herói após uma enorme queda. São raros os momentos que você pode piscar tranquilamente.

O clima sombrio de Gotham recebe três novos personagens além do vilão: Anne Hathaway como a Mulher-Gato, Joseph Gordon-Levitt como o jovem policial John Blake e Marion Cotillard como Miranda Tate, a única pessoa da Wayne Enterprises que ainda acredita fielmente nos planos de Bruce Wayne. Todos fazem um trabalho fantástico, com destaque para Hathaway que conseguiu fazer o que Halle Berry não pode: criar uma Mulher-Gato muito mais legal que a interpretada por Michelle Pfeiffer. Aqui ela é uma ladra atormentada por um passado não revelado e todo seu uniforme é funcional, nada de itens estéticos, nem mesmo as “orelhas”. Levitt mostra um amadurecimento grande, uma óbvia evolução de A Origem. Cotillard fica mais apagada em meio de tantos personagens com grandes habilidades, mas é fundamental para a história. Enquanto o Coringa era assustador pela sua loucura, Bane deve ser temido por sua estabilidade mental. O perigoso não é sua bizarra máscara, mas a mente que consegue juntar um exército de pessoas extremamente fiéis a ele. E claro que sua força e técnicas de luta contribuem ainda mais para sua imagem. Com um elenco de apoio tão bom, Christian Bale teve que elevar seu Batman a um patamar mais alto. Ele se entrega ao papel nada fácil e adiciona mais camadas ao já complexo herói.

Mesmo com grandes explosões, bat-veículos novos, lutas memoráveis e efeitos especiais de alta qualidade, a trama sempre volta para as decisões dos personagens. São essas escolhas individuais que montam o filme desde o começo, e formam a situação de caos em que eles estão inseridos. Em que lado você está e até onde está disposto a ir para defender o que considera correto? A história é um grande acumulo de ações e consequências, e quando a realidade toma uma forma apocalíptica, você irá fugir ou lidar com a situação que você ajudou a criar? A violência não é gratuita e o objetivo não é superficial. Fantasmas dos dois primeiros filmes voltam para assombrar o cavaleiro mascarado e o final dessa lenda não deixa pontas soltas. Deixa apenas saudades dos personagens que revolucionaram esse gênero de história.

Nota: 5


Crítica: Prometheus

07/06/2012

Nos comentários de Alien (versão do diretor, de 2003), Ridley Scott admite não ter feito um filme sci-fi depois de Blade Runner porque não achou mais nenhuma ideia única. Ele também expressa a vontade de explorar quem era o Space Jockey, que aparece no começo do filme que fez a fama do diretor no mundo cinematográfico. Com um visual espetacular, Prometheus traz o terror de volta ao gênero sci-fi e explora os acontecimentos pré-Alien. O longa peca em alguns aspectos se visto como uma obra independente, mas é fenomenal como o prólogo da história do alienígena que explode o tórax de seu hospedeiro.

Ridley tentou despistar os fãs dizendo que Prometheus não seria relacionado com seu segundo filme. Mas muitos já sabiam que o Sr. Scott é um grande mentiroso. A história segue dois cientistas que descobrem um padrão estrelar em diversas culturas antigas, e viajam até outra galáxia seguindo o “mapa”. Ao se deparar com um planeta nas coordenadas corretas, a tripulação  encontra muito mais do que esperavam. Com as mais variadas referências, o longa reconstrói o universo criado pelo diretor há 33 anos. Está tudo lá: a raça do Space Jockey, o estado primitivo do facehugger, a companhia Weyland, o andróide na tripulação, o terror causado pela criatura parasita e a mensagem que a equipe do Nostromo recebe no começo do filme de 1979. Não tem como um fã de Alien sair do cinema sem um grande sorriso no rosto.

No entanto, se uma pessoa assistir à produção sem ter a mínima ideia do que são as coisas citadas acima, sua resposta à trama será diferente. Como um filme independente, a mistura de querer explorar a origem dos humanos e criar um ambiente de terror e pânico é falha. Nesse momento, o longa pode parece ambicioso demais. Mas sem importar o passado cultural do público, a opinião sobre o visual e as atuações poderá seguir com certa unanimidade. Noomi Rapace (Os Homens que Não Amavam as Mulheres) convence em seu papel inocente, mas que cria uma coragem fantástica quando necessário. Michael Fassbender (Shame) arrasa como o robô David, aprendendo e imitando idiossincrasias humana, exibindo seu lado emocional dentro da lógica e seguindo seu próprio plano. Charlize Theron (Branca de Neve e o Caçador) mantém o nível, interpretando alguém que pode se comparar a um robô, mas mostrando emoções quando deparada com situações tensas. Sua personagem é interessante, e é uma pena que não foi melhor utilizada. Guy Pearce (O Pacto) está irreconhecível, e assim como Charlize, fica com um papel secundário que poderia ser melhor desenvolvido.

Diferente do roteiro de Dan O’Bannon (Alien), a trama se preocupa com o passado dos personagens, mas acaba por revelar informações desnecessárias. O interessante é que Damon Lindelof e Jon Spaihts colocaram em seu texto características da história de Blade Runner, com a necessidade da criação se encontrar com seu criador e a obsessão de conseguir mais tempo de vida. Mesmo com ocasionais erros no roteiro, algo que não decepciona é o visual do filme, o qual o 3D engrandece e destaca. A atmosfera fria, solitária e assustadora cheia de camadas fica ótima com a utilização correta da tecnologia.

Ridley quer que Prometheus faça sucesso por si próprio, mas a verdade é que a opinião pública irá variar conforme sua apreciação por Alien. No final da trama, conseguimos enxergar o futuro da quadrilogia dominada por Ripley, assim como uma continuação que o diretor obviamente gostaria de fazer.

Nota: 4,0


Crítica: MIB – Homens de Preto 3

26/05/2012

Os agentes K e J estão de volta numa trama surpreendentemente boa, simples e engraçada. Dez anos após o último filme, Will Smith e Tommy Lee Jones conseguem voltar naturalmente para seus papéis, e a adição de Emma Thompson e Josh Brolin ao elenco deixam a trama ainda mais interessante. A história do terceiro filme da saga traz um velho inimigo de K que foge de uma prisão lunar, 40 depois de ser capturado pelo agente. Ele volta no tempo e consegue realizar o sonho de todos os Exterminadores do Futuro: matar o jovem K em 1969, apagando o resto da sua linha do tempo. Em 2012, apenas J consegue lembrar de seu parceiro, e agora deve voltar no tempo também para salvar a vida de K.

Viagem no tempo é um assunto delicado de se tratar e, se escrito de maneira errada, pode virar um Heroes da vida. A grande sacada do filme foi manter as coisas simples: nada de mudar completamente o futuro por pisar numa borboleta ou causar danos irreparáveis por conversar com versões novas de agentes que o conhecem no futuro. Se o longa fosse Doctor Who, o fato de K ser apagado da linha do tempo iria gerar grandes consequências, fazendo com que até mesmo J nem trabalhasse na agência (pois foi K que o trouxe). Todas essas outras regras funcionam para seus respectivos  filmes e séries, mas para que o humor de MIB 3 funcionasse, a trama realmente não poderia ficar muito complexa. Os roteiristas usaram apenas o básico de viagem no tempo: como J volta antes do Boris (o vilão) atual, o passado fica com dois Boris: o de seu próprio tempo e o que voltou. Como bônus, ainda temos um personagem enigmático que consegue ver todos os futuros e presentes possíveis. Aqui a trama lembra muito Fringe e os Observadores, ainda que Griffin seja muito mais carismático que os carecas da série.

Acostumados com a personalidade dura de K, foi ótimo explorar seu lado mais inocente e brincalhão, mesmo que seu rosto continue não sendo capaz de fazer mais de duas expressões. Josh Brolin fez um grande trabalho retratando o jovem K, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Parece que os anos não passaram para Will Smith. Ele está energético como no primeiro filme, pronto para fazer suas piadas e perseguir aliens. Os vídeos e fotos promocionais do longa traziam dois vilões, interpretados por Jermaine Clement e pela Pussycat Doll Nicole Scherzinger. A participação da cantora é praticamente uma tecnicalidade, enquanto Clement fica com um personagem que lembra um pouco o antagonista do primeiro filme e que funciona na trama.

Adicionando o trabalho exemplar da direção de arte que cria o ano de 1969 e da equipe responsável pelos efeitos visuais e criação dos alienígenas, Homens de Preto III torna-se uma boa aposta para se assistir nos cinemas. Vale tanto para os fãs dos outros filmes acharem referências (como o pôster gigante de Frank no quarto de J), para os fãs de séries sci-fi (ache os Daleks nos jetpacks) ou para quem quer apenas assistir um filme de comédia.

Nota: 3,5


Filme: A Casa dos Sonhos

04/11/2011

Nada se cria, tudo de copia. Jargão utilizado bastante no meio cinematográfico, não possui uma conotação negativa necessariamente. O problema não é a cópia, mas a qualidade do resultado final. A Casa dos Sonhos, que estreia nos cinemas hoje, não é nada original, todavia tem potencial para surpreender o público. Digo potencial porque o filme possui essa qualidade, que é totalmente destruída pelo trailer. Assisti a obra com apenas uma lida rápida na sinopse. De tal forma, me surpreendi com as duas reviravoltas da trama, principalmente a primeira. Agora, se você viu o trailer, a graça do filme é quase totalmente perdida. A história trata de Will Atenton, que larga seu emprego de editor e muda-se com sua família para uma pequena cidade. Após algum tempo na casa nova, a família descobre que os donos anteriores foram assassinados, ao mesmo tempo que pessoas estranhas começam a ameaçá-los. Para os que não viram o trailer antes, a trama pode ser separada em duas partes bem distintas. Durante a primeira, o público tenta desvendar o mistério da casa: se estariam lidando com a volta de um assassino ou com algo sobrenatural. É então que há uma enorme virada na história. Somente quando o choque passa e as informações sendo dadas começam a fazer sentido novamente, é possível se ver envolvido numa busca que não poderia ter sido prevista (se não fosse pelo trailer, claro).

Mas com trailer ou não, um fator fundamental para que a história funcione é que seja criado um laço entre a família e o público, algo que é construído com sucesso nos primeiros dez minutos. As filhas são meninas fofas de 5 e 7 anos, impossíveis de não se apegar. A esposa é Rachel Weisz, uma atriz com o rosto conhecido por filmes com bastante carga emocional, que aqui não peca na atuação. A surpresa fica quanto ao carisma de Daniel Craig. Normalmente visto em papéis heróicos e impessoais, como emCowboys & Aliens, Craig mostra saber criar um personagem mais emocional e com afeto. O roteiro (de David Loucka) segue bem até quase o final, quando os clichês falam mais alto que a trama. Até então, mesmo com alguns deslizes, a história mostra-se coerente. Na investigação sobre os assassinatos, por exemplo, o clichê de achar uma película com informações importantes acaba mais verossímil devido ao projetor improvisado com uma lanterna e uma lente. A direção (Jim Sheridan) segue bem, criando um ambiente de tensão na primeira parte do filme e preparando o público para a grande virada. A direção de arte não deixa a desejar, percorrendo dois caminhos com texturas bem diferentes. As cores e a disposição dos objetos da casa criam um ambiente acolhedor e seguro, enquanto o frio e a solidão do inverno se arrasta para a casa em um segundo momento.

Mesmo com algumas falhas de roteiro e final corrido, A Casa dos Sonhos mantém um suspense sólido. O que realmente irá afetar as opiniões sobre o mesmo é se a pessoa assistiu o trailer. Posso até me tornar repetitiva nesse ponto, mas isso é de vital importância. Se você já chega no cinema sabendo da primeira virada da trama, tudo que é mostrado até tal ponto não é apreciado, e a segunda virada serve apenas como evento complementar, o qual não se sustenta sozinho. Por esse motivo, o filme pode ser ruim e sem originalidade ou desconcertantemente bom.


Filme: Cowboys & Aliens

24/09/2011

Quando ouve-se falar de um filme envolvendo cowboys e aliens na mesma trama, com roteiro de Damon Lindelof (LOST), Alex Kurtzman e Roberto Orci (Fringe), Mark Fergus e Hawk Ostby (Iron Man), e com Daniel Craig, Harrison Ford e Olivia Wilde (House) no elenco, é de se ficar, no mínimo, animado. Infelizmente, a expectativa supera a realidade quando temos um filme consideravelmente cansativo e personagens com pouco carisma. Cowboys & Aliens, que estreia hoje nos cinemas brasileiros, conta a história de um homem que acorda ferido no meio do deserto, sem memória e com um bracelete de metal preso em seu pulso. Ele chega até a pequena cidade de Absolution, onde cohece um grupo de pessoas com as quais seguirá viagem, interrompida bruscamente por um ataque alienígena. O filme é divertido, mas não passa disso. Seguindo as características de um western, a trama segue uma estrutura básica, em que a viagem toma a maior parte da trama, com um número reduzido de diálogos. Isso faz com que a produção mantenha um ritmo lento, salvo quando há lutas contra os alienígenas.

Tal monotonia não é o que se esperava quando se tem James Bond e Indiana Jones em cena, mas é explicável pelo estilo adotado pelo diretor Jon Favreu (aqui menos competente do que no ótimo Homem de Ferro). O verdadeiro revés do longa é a clara falta do fenômeno da identificação do público com seus personagens. Craig faz o tão conhecido pistoleiro solitário misterioso, mas assim como acontece com o seu James Bond e outros papéis, ele não passa a emoção necessária para que a audiência realmente crie um laço com ele. Seu interesse é voltado para Ella, uma mulher que esconde um segredo. Wilde fica então presa a uma personagem que poderia ser melhor desenvolvida e que acaba sendo apenas um rosto bonito na tela. O casal tem seus momentos, mas no geral saímos com aquela sensação de que falta algo. Quem praticamente salva o filme é Ford, ator talentoso que convence na interessante transição de vilão western para mocinho sci-fi. O elenco secundário é bem formado, com destaque para Sam Rockwell, que interpreta o dono de um saloon.

O ponto alto de Cowboys & Aliens fica com sua fantástica fotografia, que consegue retratar de maneira bela a mistura entre o antigo do suposto deserto do Arizona com a tecnologia de seres de outro planeta. Os aliens em si não são algo surpreendentes, com o visual pouco inventido parecido com as criaturas de um filme de J.J. Abrams. O interessante mesmo são as naves, que por mais futurísticas que sejam, capturam os humanos com laços. Um detalhe que faz diferença. Cowboys & Aliens não é um filme ruim, mas não atende as exigências que se esperaria de uma produção com tantos nomes de peso envolvidos, embora, como sempre aponta o crítico Pablo Villaça, um roteiro tratado a 10 mãos tem grandes chances de não ser dos melhores, servindo apenas como um passatempo para aqueles que gostam do cult e do high tech.


Filme: Super 8

10/09/2011

Por Bruno Carvalho & Camila Picheth

Steven Spielberg e J.J. Abrams começaram suas carreiras utilizando câmeras Super 8 para seus projetos, que foram lançadas em 1965. Eles também sempre demonstraram paixão pelo oculto e pelo sobrenatural, aspectos rotineiramente presente em suas obras. Por isso, Super 8 – que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira 12 de Agosto – é o fruto desta inevitável e bem-vinda parceria. Ambientado no verão de 1979 no interior americano, o filme conta a história de um grupo de garotos que se depara com um evento extraordiário enquanto filmavam um curta de zumbis: um terrível acidente de trem que esconde mais do que eles poderiam imaginar. E em vez de roteitistas, diretores e técnicos de uma produção cinematográfica amadora, os garotos passam a ser os protagonistas de uma aventura extraterrestre.

Este seria um filme-catástrofe clássico se conduzidos por outros cineastas, mas o roteiro de J.J. Abrams (com produção de Spielberg) traz um enfoque particular, costurando de forma singela a narrativa através da paixão platônica de Joe Lamb (Joel Courtney) com a garota Alice (Elle Fanning). Super 8 ainda se apresenta como uma clara homenagem à obra de seus realizadores, trazendo elementos dos filmes Contatos Imediatos de Terceiro GrauE.T., Os GooniesCloverfield,Guerra dos Mundos e, claro, das séries LOST Fringe. Tecnicamente o filme também não deixa a desejar, com um figurino e design de produção tangíveis, inspirados em boa parte na coleção particular de revistas de Super 8 de Abrams. Os planos são construídos de maneira exemplar, captando os detalhes da cidade fictícia e retratando com eficiência as cenas de ação e a gradual descoberta pelos garotos da criatura que está à solta, mas que sabiamente é mantida oculta em boa parte da projeção.

Abrams intercala romance e mistério em Super 8 com eficiência, sem se render ao sentimentalismo barato e aos clichês. Além disso, o escritor apresenta diversas tramas paralelas que se complementam com a história principal sem ofuscá-la, notadamente aquela iniciada com a morte da mãe de Joe e esposa do policial Jackson, que é vivido com energia pelo ótimo Kyle Chandler (Friday Night Lights). Infelizmente, não posso dizer que a criatura de Super 8 é das mais inventivas (o que mais desapontou), pois sua aparência nada mais é que a soma de vários aliens visto nos cinemas nos últimos anos, incluindo Independence Day e até mesmo os aracnídeos toscos de Falling Skies (também de Spielberg). Mas felizmente o filme é capaz de surpreender e destoar do gênero com uma resolução inesperada em seu terceiro  e final ato. É uma grande homenagem aos filmes de mistério e aventura da década de 80 – uma homenagem singela de Abrams aos filmes de Spielberg que todos nós crescemos assistindo.