Fringe e a Psicologia Analítica

19/04/2011

Além de possuir um ótimo roteiro com atores perfeitos para cada papel, Fringe também consegue ser referência crítica em diversas áreas, seja a Física Quântica, a Medicina ou até mesmo a Psicologia. Quando Peter Bishop diz que “a realidade é só uma questão de percepção”, ele não está somente reafirmando a ideia base da série, mas também discutindo um dos pontos do psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica.

Uma das características do sistema junguiano, é que ele se baseia em vários autores. O filósofo Immanuel Kant aplicava em sua teoria o conceito de “conhecimento a priori”, algo que o indivíduo herda de seus antepassados. Um exemplo está na infância: muitos pais têm a impressão que seus filhos já nasceram, por exemplo, sabendo mexer no computador. Na primeira temporada da série, Olivia afirma que sempre foi boa com números. Esse é o conhecimento prévio do qual se trata; como se um pen drive contendo informações fosse passado de geração para geração, e que fosse possível acessar estes dados. Jung então vem a utilizar esse conceito, que irá fazer parte da concepção da realidade subjetiva, algo largamente propagado por Fringe. Outro conceito importante para entender essa relatividade é o de arquétipo. Ele corresponde a uma visão pré-concebida de símbolos, como o da Grande Mãe (aquela pessoa carinhosa, que cuida e estimula). O arquétipo vem daquela mesma informação “dos antepassados”. É uma forma inicial, uma ideia a qual cada um irá preencher de acordo com as pessoas que venha a conhecer e com a sua experiência de vida. Sempre há alguém que podemos representar como o Velho sábio, o Herói, a Virgem. Em Fringe, notamos os arquétipos recorrentes de personagens, como Walter, no papel do cientista louco.

Esses dois conceitos são parte da teoria de apologética do subjetivismo de Jung e o ponto de partida para vários episódios deste drama. Como o conhecimento a priori e o arquétipo se manifestam de forma diferente em cada pessoa, isso faz com que cada evento signifique algo distinto para cada um e que cada manifestação do Padrão em Fringe tome uma proporção única dependendo do referencial: Olivia, Peter, Broyles, Nina ou Walter. Assim sendo, cada indivíduo enxergará aquela realidade baseado em que sua psique permita. No episódio 3×17 (Stowaway), Willivia apresenta duas explicações para o caso da aparentemente imortal Dana Grey: a primeira é racional, com base na física e biologia e a segunda com fundamento na fé. Essas maneiras diferentes de ver a vida faz com que não exista uma verdade única. O que é possível para mim, pode não ser possível para você. E é nessa tecla que Fringe bate toda semana. Abra sua mente, aceite que possa existir coisas das quais você ainda não se deu conta. Dessa forma, pessoas podem desenvolver habilidades extraordinárias e universos paralelos tornam-se não apenas factíveis, como até mesmo aceitáveis.

Texto também disponível no site LiGado em Série


Os Títulos das Séries

08/11/2010

Uma série brilhante é um conjunto de vários fatores: roteiro, elenco, produção, direção, etc. Cada detalhe enriquece o programa, e nada diz “Nós cuidamos de todos os aspectos desse seriado” como uma relação de títulos bem colocados.

Eles podem seguir um padrão gramatical, como os de Friends (The One with the Blackout, The One with the Giant Poking Device, The One with the Girl from Poughkeepsie) ou The Big Bang Theory (The Pancake Batter Anomaly, The Killer Robot Instability, The Wheaton Recurrence); podem ser títulos de músicas, como em Grey’s Anatomy (Raindrops Keep Falling On My Head, Grandma Got Run Over By a Reindeer, I Like You So Much Better When You’re Naked); ou podem ser títulos de filmes/séries/cultura pop modificados, como Charmed (The Truth is Out There… and It Hurts, Womb Raider, Kill Billie Vol. 1) ou Veronica Mars (Mars vs Mars, Rashard and Wallace Go to White Castle, President Evil).

Alguns nem sempre seguem padrões, mas a preocupação com o título se torna evidente com o seu significado. Pode ser algo simples, como “33” de Battlestar Galactica (que denota a quantidade de minutos que a tripulação podia ficar em um lugar antes que naves cylons atacassem); ou também pode ser algo mais plural, como “42” de Doctor Who (o qual é um episódio que se passa em “tempo real”, parecido com um episódio de 24 Horas. Também faz uma referência ao Guia do Mochileiro das Galáxias, em que 42 é a “resposta” chave da história. Uma curiosidade é que Douglas Adams (autor dos livros) foi roteirista na época das series originais de Doctor Who).

Para terminar o artigo, deixo cinco dos meus títulos favoritos:

“Nothing Important Happened Today” – Arquivo X

“A Priest, a Doctor and a Medium Walk into an Execution Chamber” – Medium

“Jack, Meet Ethan. Ethan? Jack.” – Lost (mobisode)

“Nothing Good Happens After 2 AM” – How I Met Your Mother

“Do Shapeshifters Dream of Electric Sheep?” – Fringe

 

Qual o seu título preferido?


Vídeo: Kate’s Adventure

18/06/2010

Como seria uma história misturando Lost, Fringe, Exterminador do Futuro, Sin City e Glee? Foi isso que eu imaginei ao fazer um projeto audiovisual para minha aula de fotografia. Peguei alguns vídeos e misturei com fotos que eu tirei, criando uma trama absurda (porém divertida?). Não consegui colocar a narração, então fui na base de anotações do You Tube. Tomara que dê para entender, e espero que gostem!
(Clique em cima do vídeo para ele abrir maior em uma nova janela)


Séries em Bottons e Chaveiros

02/06/2010

Não é todo dia que se encontra bottons/chaveiros de suas séries favoritas. Por isso sugiro que aproveitem as vendas da Slacker Store, uma loja virtual especializada na venda desses itens. Tem bottons de Battlestar Galactica, Dexter, Fringe, Glee Grey’s Anatomy, House, Lost, True Blood e muitos outros. Na loja você também encontra cartoons de séries do Serial Cookies, resultado da parceria do blog com a Slacker Store.

Além das imagens de seriados, a loja possui um grande acervo nas categorias música, filmes, entre outras. A compra é segura e a entrega é garantida. Os detalhes de como comprar estão no site da loja.

Slacker Store: http://slackerstore.wordpress.com/
Twitter: @SlackerStore


Quintas de Baunilha

07/05/2010

Fringe – 2×19: The Man from the Other Side/ 2×20: Brown Betty

Spoiler Alert!

Dizer que Fringe está cada vez melhor já se tornou repetitivo e desnecessário; então fica subentendido. Quando shapeshifters do universo paralelo atravessam para o nosso mundo e atacam um casal de jovens, cabe aos três mosqueteiros descobrir suas intenções em The Man from the Other Side.
Pela interferência estática em algumas televisões, é descoberto que os dois mundos estarão em perfeita sincronia às 15h31. Após interrogar o (bizarro) shapeshifter defeituoso e juntar essas informações com a teoria de Walter dos universos, eles descobrem que Newton pretende fazer a travessia de algo na ponte no rio Charles.
O crescente afeto de Peter por Walter permitiu que nesse episódio ele o chamasse de “pai”. Infelizmente, todo esse sentimento foi revertido quando Peter finalmente descobre que ele não é desse mundo. Foi de doer o coração quando Walter chega todo feliz no quarto do hospital e Peter o corta com sua cara séria e sua fala “Eu não sou daqui, sou?”. E que tal a Olivia toda esperta? Descobriu que a travessia seria feita no rio porque a água absorveria a energia excedente e percebeu que o policial era um agente de Newton. Way to go, girl!
No entanto, o que nossos heróis não sabem é que o importante do plano não era a ponte em si, mas a chegada do Secretário. E se me perguntarem, todas minhas fichas estão no Walternativo. Pais são capazes de fazer qualquer coisa para terem seus filhos de volta; e esse derrubará fronteiras universais para recuperar o seu. Sem contar que o shapeshifter interrogado cooperou demais, ainda se desculpando com Walter. Certeza que ele achou que estava falando com o Secretário.

O grande musical de Brown Betty realmente foi legal, mas convenhamos que não foi bem musical. Um filme (no caso episódio) musical tem como definição “narrativa que se apóia predominante ou exclusivamente sobre uma sequência de músicas coreografadas”. O que nós tivemos foi pequenos segmentos em que as personagens cantam (e um com três cadáveres). As músicas ficaram boas (principalmente a do Broyles e da Astrid), mas não acho que seja o suficiente para se tornar um musical (e o que aconteceu com a música que a Nina iria cantar para Olivia?). Deixando esse fato de lado, realmente gostei do episódio.
A trama envolveu tudo que um film noir necessita: investigação, mistério, romance, uma personagem feminina forte e um senso de moralidade relativo. Sem contar o coração/ bateria de vidro, o laser quântico e o dispositivo perfurador de paredes.
Achei interessante que a vulnerabilidade de Olivia veio à tona na história. Não é sempre que vemos a agente do FBI dizendo que gostaria de ter alguém que a abraçasse e a levasse para dançar. Também gostei da dinâmica entre Walter e Ella e da perspectiva “observadores malvados”, principalmente porque ainda não sabemos direito seus objetivos. E isso nos leva às perguntas: “com quem o Observador estava falando no final do episódio” e “qual é o aviso que Walter não se lembra”. Aparentemente Peter será uma parte crucial do final da temporada.


Promo Fringe 2×20: Brown Betty

27/04/2010

Uma palavra para definir o episódio músical de Fringe: AWESOME!


Quintas de Baunilha

22/04/2010

Spoiler Alert!

Fringe – 2×16: Peter

Flashbacks sempre são divertidos, e Fringe novamente leva um conceito a um novo nível. O episódio me ganhou logo no começo, quando Walter aparece todo bonitão com um cabelo estiloso. Ele está numa reunião em 1985 com os militares, mostrando a descoberta do universo alternativo e suas tecnologias. William Bell não se encontra na reunião porque está na Europa (se preparando para atuar em Star Trek IV: A volta para casa). Esse é o ponto de inicío da história que Walter conta a Olivia; a história de como o “outro” Peter passou para o nosso mundo, mesmo que a proposta inicial não fosse essa.
Quando Peter ficou doente, Walter observou Walternativo em busca de uma cura. Infelizmente, o Peter da nossa realidade estava fraco demais, e morreu antes da cura ser descoberta. Walter tenta seguir em frente, e sua esperança é que Walternativo consiga salvar o filho restante. É nessa hora que o Observador bobão estraga tudo, sendo descoberto no laboratório e fazendo com que Walternativo não veja que seu experimento deu certo. No entanto, Walter vê o resultado, e decide atravessar para o outro mundo com a cura.
Nina e Carla tentaram impedir Walter, mas o rasgo na barreira é feito e Nina perde sua mão. O frasco com o composto é quebrado, e ele é forçado a trazer Peter para seu mundo. A travessia de volta é feita, e Peter deixa a realidade onde Elizabeth é mais independente e aparentemente bem sucedida e que De Volta para o Futuro foi protagonizado por Eric Stoltz. Mas toda a energia absorvida pelo lago deixa o gelo fino, e ambos caem na água. Esse é o evento que tanto foi contado na temporada anterior, em que o Observador interfere na história e salva os Bishops (o Observador faz aquele lance de falar junto para mostrar superioridade ou só para ser irritante mesmo?). Uma vez que Peter está curado, Walter pretende levá-lo de volta, mas a expressão nos olhos de sua esposa revela seu próprio sentimento: Ele não irá perder seu filho pela segunda vez.
É, Karl Marx estava certo ao dizer que o caminho do inferno está pavimentado de boas ações.

Vai um Slusho?