Minisséries: Alice (SyFy)

28/01/2010

A obra que retrata uma menina curiosa que segue um coelho branco até um mundo fantástico foi um dos contos que marcaram minha infância, e que continua a me agradar até hoje.

Depois de Tin Man (versão SyFy de “O mágico de OZ”), tinha certeza que Alice seria algo espetacular, juntando um mundo de fantasia com ficção científica. Infelizmente, ao misturar muitas versões de Alice, a história perdeu um pouco do seu sentido, e o personagem mais importante foi deixado de fora.

O que deve ser levado em consideração, é que a mini-série não é apenas uma mistura da história de Lewis Carroll com um toque SyFy. Existem muitos personagens e várias partes da trama que remetem ao livro “The Looking Glass Wars”, de Frank Beddor, e ao jogo de videogame “American McGee’s Alice”.

No livro de Beddor, Alice (que na trama se chama Alyss) é a princesa do país das maravilhas, mas quando ocorre uma guerra civil liderada por sua tia, Redd Hart, a menina foge para a Terra, junto com seu guarda-costas Hatter Madigan (o chapeleiro). No entanto, ambos são separados quando chegam à Terra – Alyss caindo em Londres e Hatter na França. A jovem é adotada pela família Liddell e ao passar do tempo, ela acredita que Wonderland não passa de um conto de fadas. Na trama, ainda pode se encontrar Jack of Diamons (um rapaz egoísta que fora definido como o futuro noivo de Alyss, quando ambos eram pequenos) e Blue Caterpillar (chefe dos guardiões de um sagrado cristal).

Já a história do videogame é mais sombria e mórbida. Depois do segundo livro de Alice, a casa da garota pega fogo, matando sua família. Ela se sente culpada pelo fato e tenta se matar – tornando-se catatônica. Alice é colocada em um asilo, e dez anos mais tarde, o coelho branco a aborda pedindo sua ajuda para parar a Rainha de Copas. Como Wonderland é uma projeção da mente de Alice, o lugar se tornou uma terra insana e macabra, e Alice é a única que pode ajudar o lugar, assim como a si mesma. No jogo, o Chapeleiro é um louco cientista. Ele faz vários experimentos na Lebre de Março, e substitui seu torço e braço direito por partes mecânicas. Tweedle Dee e Tweedle Dum são sádicos irmãos que trabalham para o Chapeleiro, gerenciando o asilo do lugar.

Algum desses personagens os lembra alguma coisa?

Voltando para a adaptação do SyFy, a primeira parte é consideravelmente bem estruturada e coesa. Somos apresentados a uma Alice igualmente esperta e independente, no entanto mais velha, ágil e…morena. A trama dessa parte gira em torno de Alice em Wonderland tentando achar seu namorado Jack, que foi seqüestrado pela organização White Rabbit. Gostei que Alice teve um bom motivo para seguir o “coelho branco” até Wonderland, e não apenas sua curiosidade.

O roteiro dessa parte permitiu uma história original fazendo várias referências à obra literária – desde o caminho que Alice percorre até a personalidade de alguns personagens e citações do livro. No entanto, por ser uma releitura de “Alice no país das maravilhas”, acho que faltou um pouco do nonsense que é tão bem colocado no livro – com suas falas inteligentes cheias de silogismos, sofisma e falácias.

Mesmo assim considero a primeira parte boa, terminando com a aparição de dois dos melhores personagens da mini-série: Tweedle Dee e Tweedle Dum. Já a segunda parte, é outra história (em vários sentidos).

Sua busca por Jack é encerrada e o novo estímulo para Alice ficar em Wonderland é achar seu pai.  Nessa parte tudo acontece muito rápido, com ações sem serem explicadas propriamente. As perseguições são um tanto quanto ridículas, principalmente as que ocorrem dentro do cassino (realmente é muito difícil para um bando de “engravatados” derrubar uma porta possivelmente de vidro presa apenas por uma vassoura). E quanto ao “exército” que o cavaleiro branco Charlie (Dr. Jim Taggart, de Eureka)leva para frente do local? Pra mim foi o ápice do mal feito. A história inteira se passa sem o uso do nonsense (a não ser pelas falas de Charlie) e chega nessa hora e todo mundo acredita que aquilo é mesmo um exército? Pois não convenceu (isso que eu nem vou perguntar COMO ele conseguiu levar aqueles esqueletos até lá).

Se tudo isso não fosse o suficiente, Alice consegue quebrar muito facilmente o sistema do cassino e no final, quando tudo é destruído e ela consegue o anel de volta, ela faz o gesto mais clichê que existe, levantando seu braço e segurando o objeto como um troféu. Também achei incrível como todos comemoram a vitória de Alice. Se eu fosse uma “ostra” que tivesse acabado de “acordar” eu estaria confusa, e não teria a mínima idéia do que era aquele anel.

Para não dizer que a segunda parte foi de todo mal, devo dizer que gostei do arco de Alice com o Carpinteiro, que era o seu pai. Assim como do Hospital dos Sonhos e de seus “pacientes”. A transformação da Duquesa também foi interessante. Ela sempre foi retratada como uma criatura horrorosa, algo que muda drasticamente nessa versão, embora continue agindo como antagonista da Rainha. E não poderia deixar de fora o fofo do Hatter, que possui um grande papel durante toda a mini-série e que torna o final bonitinho.

Quanto à personagem da Rainha de Copas, ela era coerente demais, sem as mudanças bruscas de humor e o desejo de cortar a cabeça de todos (o que acontece, mas pouco). Também acho que Caterpillar não foi muito bem retratado. Ele poderia ter sido muito mais enigmático e com uma fala mais pausada. E o principal: o que aconteceu com o Mestre Gato?? Na minha visão, ele é o personagem mais importante e cheio de significados, e os roteiristas o transformam em uma aparição de dois segundos sem um propósito maior? Acho que esse foi o maior pecado cometido.

Tendo tudo isso dito, considero “Alice” uma mini-série divertidinha de assistir uma vez, mas não passa disso. A história e os personagens não foram tão bem explorados quanto eu esperava. Boa parte da filosofia foi deixada de lado sem se ter criado uma nova.

E para terminar minha crítica, devo dizer que fiquei altamente irritada com o cabelo de Alice. A garota foge dos soldados da rainha, cai na água, tenta se livrar de um assassino psicopata, fica frente a frente com um Jabberwocky, cai na água de novo, destrói o reino de Copas e mesmo assim seu cabelo sempre está impecavelmente penteado e perfeitamente preso com uma fivela. Queria que o meu também fosse assim…

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Minisséries: Tin Man

21/01/2010

Dorothy, seus amigos e…robôs?

O que acontece quando a história do “Mágico de Oz” é misturada com um mundo bizarro de ficção científica? Cria-se uma minissérie produzida pelo canal americano SyFy, “Tin Man”.

A série é formada por três episódios, com 90 minutos de duração cada (calma, é grande, mas vale a pena). Como não poderia faltar, há o grande trio formado por Homem de lata, Espantalho e Leão, estrada de tijolos amarelos, bruxa perversa, Totó, os pequenos Munchkins e, para afirmar que é uma produção Sci Fi, uma cidade de robôs. Aparentemente a história parece ser a mesma, mas a trama de “Tin Man” é muito mais complexa que a do filme original. Quem for assistir a série esperando aquele mundo preto e branco, no qual a bruxa é malvada e a protagonista é boazinha, vai se surpreender.

A trama gira em torno da personagem DG, interpretada pela atriz Zooey Deschanel (Fim dos Tempos). Ela é uma garçonete de uma pequena cidade, mas sua pacata vida muda completa quando ela é forçada a pular em um furacão. DG vai parar em um lugar chamado O.Z. (Outer Zone – original, não?), que é comandado por uma feiticeira do mal. A protagonista parte em busca por seus pais, mas acaba envolvida em algo maior.

O roteiro é bem escrito, os efeitos especiais são de alta qualidade e todos os atores estão ótimos. Quem se destaca, no entanto, é a atriz Kathleen Robertson. Ela interpreta a feiticeira, e é incomparável sua atuação na série e em seu papel em “Todo mundo em pânico 2”.

Interpretações a parte, um dos pontos mais interessantes da série é a história criada por trás das personagens que fazem amizade com DG. Glitch (que seria o espantalho) foi o “braço direito” da rainha de O.Z., mas quando a feiticeira tomou conta do lugar, ele teve grande parte do seu cérebro retirado devido a quantidade de conhecimento que possuía. Cain, que é o super-herói da trama, foi obrigado a ver sua esposa e filho serem espancados até a morte, assim tornando-se frio (sim, ele é o homem de lata). E para fechar o trio, temos Raw, uma espécie de lobisomem, ou no caso, um “leãosomem”. Sua raça é perseguida por possuir poderes psíquicos e por isso a criatura é medrosa.

O DVD com a saga já pode ser encontrado para locação ou compra. No entanto, muitas cenas foram retiradas, cortando-se em torno de 1/3 da história. Essas cenas não fazem grande diferença no arco principal da trama, por isso para quem não tiver paciência de baixar as três partes, vale a pena assistir somente o DVD lançado.