Livro The Walking Dead: A Ascensão do Governador

16/07/2012

A Ascensão do Governador é o primeiro livro de The Walking Dead com uma história dentro desse universo, escrito por Robert Kirkman e Jay Bonansinga. Ele serve como spin off da série e dos quadrinhos, contando como nasceu o infame personagem do Governador. Com um texto que flui e adjetivos em massa para lhe deixar enojado, o livro é daqueles que, quando você começa a ler, não consegue mais parar.

A trama trata de um grupo que luta pela sua sobrevivência, formado por Philip Blake, sua filha Penny, seu irmão Brian e seus amigos Bobby Marsh e Nick Parsons. O livro começa com o grupo numa casa de luxo na parte rural da Georgia, e eles seguem até Atlanta para procurar pelos campos de refugiados. Um aspecto interessante da obra é que a história começa três dias após o surto, o que oferece uma visão nova para o público. Na série e na HQ, descobrimos esse novo mundo pelos olhos de Rick, quando os zumbis já tomaram conta de tudo. Os personagens do livro estão aprendendo a lidar com essas criaturas, sempre se perguntando como a transformação ocorre, por que e quanto tempo irá durar.

Os adjetivos usados pelos autores tornam a trama muito mais real, trazendo o leitor para dentro do livro. O suspense sempre cresce ao virar as páginas, e ato de matar um zumbi ganha um novo conceito. Sendo retratado meticulosamente, é descrito cada barulho, texturas corporais e, principalmente, o cheiro. Esse é outro aspecto explorado durante todo o livro. No seriado, só lembramos do mal cheiro que existe quando alguém faz uma careta ao entrar num lugar fechado. Aqui, somos lembrados o tempo inteiro dos corpos em decomposição, da comida estragada, do mofo, do lixo e dos dejetos humanos. Assim, somos submergidos num mundo muito mais horripilante e tenebroso formado em nosso cérebro do que as imagens dos quadrinhos e as cenas da televisão podem passar.

Se você acha que o grupo de Rick passou por mau bocados, vai se surpreender com a história. Essas pessoas constroem um lugar estável e perdem tudo várias vezes por diferentes razões, se deparam com situações que pedem atos deploráveis e são forçadas a viver de um jeito que pessoa alguma merece. Dessa maneira, quando chegamos ao final do texto e a figura do Governador é formada, as ações mostradas nas HQs são quase justificáveis. É possível, no mínimo, entender a razão do comportamento do personagem. The Walking Dead: A Ascensão do Governador junta tudo que amamos nas outras criações de Kirkman, e adiciona um realismo emocional capaz de criar uma nova experiência.

Além de contar a história do Governador, o texto também explica como a placa “ALL DEAD DO NOT ENTER” foi parar no conjunto habitacional que Andrea e Shane visitaram na segunda temporada. O livro foi lançado dia 11 de Outubro de 2011 e será seguido por The Walking Dead: A Estrada para Woodbury, previsto para dia 16 de Outubro de 2012. Ele é distribuído pela editora Galera e pode ser encontrado em quase todas as livrarias.


A Caminhada dos Mortos-Vivos

28/07/2010

Eles não surgiram do nada, não saíram da cabeça de um único autor que resolveu criar uma criatura primitiva e violenta que deseja comer cérebros. Não, sua história é mais antiga, mais sorrateira. Ela começa em contos sombrios: em mitos e folclores que retratam demônios que se alimentam de carne humana. No século XIX, a sua história se torna mais verossímil, com o monstro descrito por Mary Shelley em Frankenstein. No lugar de entidades vindas do inferno, temos um ser humano (na verdade, vários pedaços de humanos diferentes) que volta à vida através da ciência. Depois disso, eles começam a tomar características mais conhecidas nos livros de H.P. Lovecraft e no filme White Zombie, de 1932. Embora vários outros contos e filmes já englobassem sua mitologia nessa época, foi em 1968 com George A. Romero, que os zumbis fizeram sucesso e viraram um marco na cultura popular.

A partir de então, foi criada uma vasta linha variada de zumbis, seja nos livros de Stephan King, nos jogos de videogame de The House of the Dead ou nos filmes estilo Extermínio. É zumbi lento, zumbi rápido, zumbi resultado de feitiço, zumbi criado por um vírus, zumbi geneticamente modificado, zumbi na era vitoriana, zumbi dançarino, zumbi que não tolera luz e até… zumbi que brilha? Não, ainda bem que nunca ousaram criar tal obscenidade. Embora vários filmes, livros e jogos tenham sido criados em cima de tal conceito, nunca foi produzida uma série de TV. Claro, já tivemos zumbis aparecendo em episódios de vários seriados, como Arquivo X, Buffy e Medium. Também já tivemos os mortos-vivos em uma minissérie britânica chamada Dead Set, mas nada de série propriamente dita. Isso muda no final desse ano, com a estreia de The Walking Dead.

Baseada nas histórias em quadrinhos criadas por Robert Kirkman e lançadas em 2003, teremos um programa centrado em personagens tentando sobreviver em um ambiente dominado por zumbis. Então você diz: “Com tanto filme já feito, por que assistir uma série de zumbi? Vai ser um saco; sempre a mesma coisa!”. Mas é aí que você se engana. O interessante de uma série é que é possível desenvolver uma mitologia, algo que os filmes não podem fazer devido ao seu tempo limitado. Salvo produções como Resident Evil, que possui uma saga, os outros filmes só podem mostrar um pedaço da história, com personagens já construídos. O efeito de um apocalipse gera reações diferentes em cada indivíduo, e é essa transformação de personalidade que poderemos acompanhar a cada episódio; além de zumbis famintos atacando qualquer um que cruzar seu caminho. Diferente do que muitos pensam, The Walking Dead não será um seriado de terror sobre zumbis comendo pessoas, mas um seriado dramático relatando a luta de indivíduos tentando se adaptar a uma nova realidade. O que acontece quando se remove a lei e o governo de uma sociedade, a qual agora vive com medo constante? Pois é o que iremos descobrir nesse novo projeto do canal AMC.

A série está prevista para outubro e, enquanto a data não chega, você pode conferir as HQs já lançadas. Outra possibilidade é assistir os inúmeros filmes de zumbis já produzidos: que tal algumas obras originais de Romero? Ou alguns clássicos como Re-Animator? Prefere um pouco mais de Robert Rodriguez em Planeta Terror? Ou seu estilo é mais comédia com Zumbilândia? Seja qual for o gênero ou a época, o importante é ficar atento. E lembre-se: Mire sempre na cabeça!

Texto em colaboração com o blog LiGado em Série