A Town Called Mercy: Quando o Doctor Quase Cometeu um Erro

17/09/2012

Steven Moffat não estava brincando quando disse que essa temporada seria construída a partir de episódios independentes. O lado positivo é que a série fica mais dinâmica, fazendo com que você possa acompanhar as histórias sem uma regra. O lado negativo é que tramas como a “separação” dos Ponds ficam perdidas na narrativa. Embora Dinosaurs on a Spaceship tenha sido um episódio divertido, fiquei preocupada se Doctor Who se transformaria num seriado cheio de histórias legais, mas com um arco geral fraco. No entanto, em A Town Called Mercy, tivemos o retorno de um aspecto antigo da personalidade do Doctor, reforçando a necessidade de uma companion viajando com ele.

De cara esse episódio tinha tudo para ser um dos melhores da temporada: um ambiente western, um alien Terminator, o Doctor fazendo um Stetson revival e uma participação do fantástico Ben Brownder (hell yeah Farscape!). Para melhorar ainda mais esse cenário, foi possível enxergar novamente um pedaço da personalidade do Doctor que raramente vemos. Desde que a série voltou em 2005, a parte sombria do protagonista sempre esteve presente. Mas é somente quando ele viaja sozinho por muito tempo que esse aspecto começa a tomar conta. Muitas raças o veem como uma grande ameaça, e eles estão certos. Com todo o poder que o Doctor possui, ele poderia fazer o que bem entendesse com o universo, o que traria consequências negativas gigantes. Foi isso que vimos em The Water of Mars (2009) e The Runaway Bride (2006); minutos que seu ego dominou seu bom senso e agiu pensando apenas nele. O resultado de ambas situações foi contornado, mas poderia ter sido bem pior para a timeline universal e para ele mesmo. Quando o Doctor resolve entregar Jex para o Gunslinger, isso poderia ter o transformado para sempre, fortalecendo demais sua sombra. Afinal de contas, o que é mais assustador que o Doctor segurando uma arma? No entanto, Amy cumpriu seu papel como companion, e o trouxe para o lado sensato. Ficou claro que o Doctor não viaja acompanhado apenas por diversão, mas por uma questão de segurança. E é nessa narrativa que a troca de companions começa a ficar evidente: o Doctor precisa de alguém ao seu lado, mas os Ponds não podem mais o acompanhar.

A história fica ainda mais interessante quando analisamos quem é o vilão do episódio. Seria o cientista louco que cometeu atrocidades por razões supostamente altruístas e que está se esforçando para ter redenção? Ou seria a vítima de experimentos que está matando aqueles que o feriram? O episódio substitui essa resposta por uma ação: misericórdia. Até então eu concordo com a moral da trama, mas o final estragou a “lição do dia”. O Doctor levou em consideração o desejo de Jex para ser uma pessoa melhor, mas disse que não cabia a ele escolher como e onde se redimir. Mas foi exatamente isso que ele fez no final. Ele escolheu que iria morrer ali numa explosão, tomando o caminho mais fácil e nada digno.

Mesmo assim gostei muito do episódio. É difícil estragar uma trama que se passa num cenário de filmes de bang-bang, e a presença do xerife boa índole vs o exterminador vingativo serviu para solidificar a história. Amy teve um real propósito, algo que não se via desde a 5ª temporada. Agora nos resta esperar pelo Poder dos Três, e ver se os Ponds conseguem fazer a escolha entre o mundo fantástico do Doutor e a vida real.


Asylum of the Daleks: Conheçam os Daleks-Cylon e os Daleks of the Dead

03/09/2012

Sempre fui fã da escrita wibbly-wobbly de Steven Moffat (quem já leu meus outros textos sabe disso). Acho que ele é capaz de criar personagens fortes e misteriosos e tramas bem amarradas. Ele fez um fantástico trabalho trazendo o 11º Doctor à vida e nos envolvendo numa história cheia de suspense com os Silence. Na estreia da 7ª temporada, no entanto, foi possível descobrir a criptonita do roteirista: os Daleks.

Acredito que o episódio mais fraco do 5º ano foi Victory of the Daleks, e pensei que Moffat iria se redimir com esse início de temporada. Mas embora a história seja interessante, o maior defeito é a perda de identidade desses robôs nazistas que foram inventados lá na década de 60. Uma das características que eu mais gosto do Moffat é que com ele nada é preto ou branco; ninguém nunca é totalmente bom ou totalmente ruim. Porém, foi exatamente esse ponto de vista que prejudicou o episódio. Não me entendam mal, adorei ver Daleks humanos sleepers e me deu um medinho estilo The Walking Dead com aqueles cadáveres se movendo como zumbis. Mas juntando esse conceito com o próprio asilo e o “trato” feito com o Doctor, os Daleks perderam um pouco de sua essência. Esse é um grupo de personagens que não precisa e não deve ter um desenvolvimento. Daleks exterminam tudo que não é Dalek. Orgulho e ódio os definem, e eles seguem esse padrão por mais que ele não seja a melhor estratégia. É isso que torna esses vilões tão assustadores. Essa trama toda de converter humanos os trouxe perto demais dos Cyberman, que possuem um objetivo completamente diferente. Só houve um Dalek que saiu ganhando com a escrita do showrunner: nossa querida Oswin Oswald.

Assim como todos os fãs, sabia que Jenna-Louise Coleman faria seu debut como companion no episódio de Natal, então fui totalmente pega de surpresa com a sua aparição. Estou triste com a partida da girl who waited, mas o futuro parece promissor com a girl who can. Não sei como Moffat vai trazer Coleman novamente para a história, mas se sua personalidade for como a demonstrada nesse episódio (e tudo indica que será), teremos ótimas tramas em 2013. Li algumas reclamações de fãs dizendo que as personagens femininas de Moffat possuem sempre a mesma personalidade. É verdade que Amy, River e Oswin possuem várias qualidades semelhantes, mas dizer que as três são iguais é um erro. Sem contar que para estar ao lado do Doctor, elas precisam ter esse perfil. Achei Oswin fantástica, e o fato dela ser um gênio e colocar muitas referências e flertes nos seus rápidos diálogos não me incomoda nem um pouco. O que me incomodou quanto aos personagens foi essa separação da Amy e do Rory. Até fiquei animada ao ver a briga dos dois no final de Pond Life e o pedido de divórcio no início do episódio. Claro que os dois iriam ficar juntos novamente, mas essa nova situação tinha tantas possibilidades para sua causa e consequências. E dai a Amy me solta aquela explicação. Eu entendo o que o Moffat quis colocar ali – sei que ele não estava querendo dizer que mulher que não pode ter filho é inválida – mas mesmo assim é um péssima razão. Como assim os dois não discutiram nada sobre o assunto? Isso era tão fácil de se resolver que eles fizeram as pazes em cinco minutos. Desperdício de uma trama interessante.

Mesmo com esses defeitos (e a grande dúvida de como a voz de Oswin não a revelou como Dalek durante toda a trama), Asylum of the Daleks foi um episódio legal. O mais fraco dos inícios de temporada de Moffat, mas dizer que foi horrível é exagero. Tivemos ótimas tiradas, uma atitude badass do Rory e a melhor resposta de Amy quanto ao seu temperamento. Adorei o final da história, com os Daleks e o próprio Doctor indagando a pergunta feita em The Wedding of River Song: Doctor Who? Será que esse ano iremos mesmo descobrir seu verdadeiro nome?


Telefilme confirmado para o aniversário de Doctor Who

09/08/2012

Com os 50 anos de Doctor Who ficando mais próximos, todos os tipos de rumores estão correndo pela internet. Mas hoje,  a BBC confirmou mais uma produção para a comemoração do aniversário: um telefilme mostrando a real origem da série, que estreou em 1963.

O roteiro fica por conta do veterano Mark Gatiss. Ele já escreveu vários episódios desde que o Doctor voltou em 2005, e também escreve Sherlock ao lado de Steven Moffat. “Eu quero contar essa história há mais tempo do que eu posso lembrar”, afirma Gatiss. “Para fazer isso no 50º aniversário é simplesmente um sonho virando realidade”. Moffat, como sempre, é ainda mais ambicioso: “A história de Doctor Who é a história da televisão – então nada melhor que no ano do aniversário façamos nossa viagem no tempo mais importante para ver como a Tardis foi lançada.

O filme irá tratar também de como o 1º Doctor, William Hartnell, fez a transição de papéis de um homem duro para o herói de muitas crianças. Detalhes sobre a produção serão confirmados no ano que vem.


BBC HD chega na TV a cabo

18/06/2012

O Serial Cookies foi convidado para o evento de lançamento do canal BBC HD em São Paulo na semana passada. A apresentação contou com a presidente da BBC Worldwide Jana Bennett e o produtor executivo Tim Scoones, além do diretor de programação da Net Serviços, Fernando Magalhães. O objetivo do encontro era divulgar os programas que fazem parte da primeira grade de atrações do canal e falar sobre o que o público pode esperar nos próximos meses.

Fernando explica que o propósito de trazer a BBC para a Net é diversificar a programação, uma vez que o canal não é focado em notícias, mas entretenimento em geral. Ele então passa a palavra para Jana, que se mostra animada com a parceria tanto no nível profissional quanto em sua vida privada, já que sua filha mora aqui e ela está sempre viajando para o país. Ela é responsável pela programação do mundo todo, e foi logo dizendo que gostaria de fazer uma grade especial para o Brasil. A presidente afirma que o lançamento do canal representa uma progressão nacional para a Inglaterra, que pretende manter uma ótima relação com o Brasil. Nosso país tem sido um dos maiores mercados de televisão em crescimento, e está chamando atenção ao ser o anfitrião da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 (ela brinca que a relação entre os dois países é concretizada com a tocha olímpica sendo passada para nós).

Na Inglaterra, a BBC possuí vários canais, com diferentes público-alvos. Como no Brasil só será lançado um, eles farão o máximo para conseguir alcançar a maior parte da audiência possível, com documentários, reality shows, dramas, programação infantil e musical e eventos mundiais. Para ajudar a melhorar esse resultado, o canal será o primeiro a oferecer o serviço on demand, com uma grande seleção de entretenimento para assistir a qualquer hora (desde programas do canal infantil CBeebies até séries adultas como Sherlock e Wallander). O serviço será disponibilizado em Junho, e trará alguns acontecimentos com exibições sincronizadas.

A estreia do canal também coincide com o chamado London Calling, uma temporada de eventos celebrando as pessoas, o estilo de vida, a cultura, a música e a história de Londres. Esses programas serão uma das maiores atrações da BBC nesse começo. Outro programa que os executivos estão orgulhosos por divulgar no Brasil é o Planet Earth Live, um documentário/reality show pioneiro quando se trata em fazer televisão.

Tim Scoones também é produtor do Planet Earth Live, e aproveitou a oportunidade para falar um pouco da grandiosidade do projeto. Ele afirma que a BBC sempre esteve na frente quando o assunto é documentários. Juntando 50 anos de experiência em produções como essa, mais uma equipe enorme com os melhores diretores, editores e cientistas e ainda aproveitando todos os benefícios que a revolução digital trouxe, o estúdio conseguiu lançar um seriado que mostra em tempo real a vida de animais escolhidos a dedo passando por momentos marcantes. Tim afirma que a escolha do mês de Maio de 2012 foi essencial, pois é nesse período que grandes eventos do mundo natural acontecem, como mudanças climáticas e migrações. O objetivo é mostrar como esses animais específicos, que ganharam até nomes individuais, são afetados por essas influências. O programa é o reality show mais literal que existe, fazendo com que a natureza escreva o roteiro da história. Como personagens, temos leões e elefantes no Quênia, macacos na Sri Lanka, baleias no oceano pacífico, ursos pretos nos EUA e suricatos esperando pelo inverno no Deserto do Kalahari.

Tanto Tim quanto Jana foram muito receptivos, e não deixaram assuntos pendentes em suas apresentações. As dúvidas que surgiram pela imprensa foram em sua maior parte querendo saber se séries como Doctor Who seriam exibidas pelo canal, e a resposta foi que eles irão construir melhor a programação conforme o feedback e interesse do público. Outra pergunta foi por que Sherlock começou a ser exibida na segunda temporada, e Jana afirmou que foi para acompanhar melhor a programação britânica, mas que a série será reprisada a partir do primeiro episódio. A BBC HD chega no Brasil com grandes expectativas, e promete muitas atrações. Embora a grade ainda não tenha tantas variedades, vale a pena conferir a programação do canal.


Séries para Leigos: Sherlock

17/02/2012

Todos gostam de um bom enigma. Quando crianças, somos confrontados com aqueles quebra cabeças de doze peças que demoravam para se tornarem cansativos. A partir de então, escolhemos ficar horas tentando finalizar um jogo de palavra cruzada ou Sudoku. Passamos a mesma quantidade de tempo assistindo filmes ou séries de mistério ou lendo um livro com o mesmo tema. A razão para fazermos isso pode variar, seja por gostar de seguir um caminho lógico que o leva a respostas absolutas e definitivas, por apreciar o desafio ou simplesmente para se sentir superior aos outros. Não importa a razão, o fato é que diariamente somos submetidos a algum tipo de enigma; e nós gostamos. No entanto, as histórias de Sherlock Holmes dão ainda mais um estímulo ao seu público: a competição. Estamos tratando de um dos homens mais inteligentes da história fictícia e conseguir acompanhar seu raciocínio na tentativa de obter respostas antes do protagonista é um exercício viciante. Juntando toda essa premissa com uma qualidade altíssima de roteiro, é impossível resistir a uma série como Sherlock, da BBC inglesa.

A série foi criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, dois roteristas de Doctor Who, enquanto faziam suas viagens de trem até Cardiff para a produção do programa. Como grandes fãs das histórias de  Sir Arthur Conan Doyle, eles imaginaram como seria se o personagem vitoriano vivesse no mundo moderno, tendo toda a tecnologia atual ao seu alcance – e adesivos de nicotina no lugar do tradicional cachimbo. Não precisa nem dizer que a série é um total sucesso. Baseando-se nas tramas originais e misturando sua própria criatividade, Moffat, Gatiss e Steve Thompson (mais um roterista de Doctor Who) realizaram duas temporadas e já garantiram uma terceira, que somente deve estrear em 2013. Cada temporada possui três episódios de 1h30 de duração. Pode parecer muito longo, mas o ritmo e a agilidade de como a história é retratada faz com que o público não fique entediado. O que também contribui para que os episódios não fiquem chatos é a identificação do telespectador com os personagens, que resolvem os casos com bastante uso da internet e mensagens de texto. Sem contar que Watson agora é blogueiro. Mesmo com toda a modernidade instalada, alguns elementos como o chapéu característico de Sherlock e o número 221B gravado na porta da residência foram mantidos, não cortando totalmente o padrão canônico dos textos originais e dando o equilíbrio necessário para o drama funcionar.

Durante a primeira temporada, fomos apresentados aos personagens principais, nos acostumando com os seus relacionamentos. Também conhecemos Moriarty, o arqui-inimigo de Sherlock, que construiu o arco principal da trama. Nessa segunda temporada, tivemos um começo fantástico com a entrada da personagem de Irene Adler (interpretada por Laura Pulver, que fez a fada madrinha de Sookie em True Blood). Passando pelos cães de Baskerville e a participação de Russell Tovey (Being HumanHim & HerDoctor Who), chegamos ao grande season finale, com conto de fadas, ideias plantadas estilo Inception e a participação de Katherine Parkinson (The IT Crowd). A trama foi baseada no conto “The Final Problem”, no qual Doyle decidiu mostrar o confronto de Sherlock e Moriarty e matar ambos. Olhando para as temporadas, fica claro que a série só poderia ter sido escrita pelos roteristas de Doctor Who, uma vez que os personagens são basicamente os mesmos. Temos o gênio capaz de resolver qualquer enigma e sair de qualquer problema (Sherlock/Doctor); o fiel companheiro, que embora não seja tão inteligente, é indispensável para a resolução dos problemas (Watson/Companions); o arqui-inimigo louco tão esperto quanto o protagonista (Moriarty/The Master); e o interesse amoroso também genial que gera cenas de tensão e trapaça (Irene Adler/River Song).

 Em 2007, Moffat escreveu uma série de seis episódios relatando a história de O Médico e o Monstro chamada Jekyll. Apropriando-se de muito humor negro, o programa transformou um ótimo livro em algo tão bom quanto. O escritor está repetindo a dose em Sherlock em nível avançado. Com a falta de criatividade moderna, o remake de filmes e a roteirização de livros rotineiramente retalha os grandes clássicos. Mas quando uma adaptação é tão bem feita quantoSherlock, ela deve ser colocada como referência. Com as brilhantes atuações, roteiro exemplar e consistente, essa é já é uma série obrigatória para quem gosta de séries de TV.

Doctor Who: A Sexta Temporada da Nova Era

16/12/2011

Doctor Who estreou em 1963 e conseguiu chegar em 2011 com 32 temporadas devido basicamente a um fator: mudança. Mesmo que o Doctor (como é conhecido) não seja humano, ele representa “o herói”. O conceito está ligado à mentalidade da sociedade em determinado período e está em constante transformação. Isso significa que na década de 60 o herói era um homem idoso, sábio por todas as experiências que já acumulou. Na década de 70, era um homem imprevisível com o cabelo cacheado enorme. Assim ele foi evoluindo (como a sociedade) até chegar em um jovemhipster. Não foi apenas o conceito de herói que mudou durante as décadas, mas a maneira de se fazer televisão, de se contar uma história e sua intensidade. Se o final da quinta temporada desta nova era fosse transmitido em décadas anteriores, cheio de paradoxos e viagens no tempo, a história não funcionaria. O público não iria entender. Mas o telespectador progrediu. Agora só assiste as temporadas clássicas quem é realmente fã, porque é necessário um esforço para acompanhar tramas lentas e monstros antiquados. O público evoluiu o suficiente para receber um personagem que não é perfeito, que deve tomar decisões difíceis, que não está sempre certo, mas que continua sendo herói – o que explica, inclusive, o sucesso de séries como Dexter e Breaking Bad.

De fato, a sociedade atual não aceita uma pessoa (mesmo sendo alien) ser perfeita, sem suas dualidades. O público não quer que um personagem de 900 anos não tenha um passado negro e um ego que precise ser controlado. É por isso que Russel T. Davies trouxe de volta à TV um Doctor que não apenas viaja acompanhado por diversão, mas por necessidade. E é quando o Doctor viaja sozinho que é possível ver fragmentos de sua personalidade antes escondidos. São fragmentos que o destruiriam devido a sua raiva (The Runaway Bride) ou que o deixariam mudar a linha do tempo simplesmente porque ele pode (The Water of Mars). E é por isso que quando Steven Moffat assume controle da série, ele pode brincar com a dualidade que mistura conto de fadas com uma camada obscura. Construindo essa realidade durante a quinta temporada, chegamos ao sexto ano desta nova era, que transformou Doctor Who em ícone também em outro continente. Foi uma temporada mais dark desde que o programa retornou em 2005 e, na minha opinião, a mais divertida. Conhecemos uma das criaturas mais legais do universo whovian, finalmente vimos a personificação da verdadeira protagonista da série, torcemos na luta física e emocional entre pessoas originais e suas cópias, descobrimos quem é River Song, lidamos com questões morais com duas Amys, reencontramos e nos despedimos de grandes amigos e tivemos toda a história da humanidade acontecendo ao mesmo tempo devido ao amor. Houve um problema aqui com piratas e outro alí com uma casa de bonecas, mas que não invalida a grandiosidade da temporada.

Russel T. Davies afirma que sempre que uma história é boa, há uma mudança em um ou mais personagens. No caso desta temporada, todos eles mudaram. Amy, Rory, River e o prórprio Doctor se depararam com situações que os fizeram entrar em contato com sentimentos e lógicas desconhecidas. Amy teve que lidar com seu preconceito na trama dos doppelgangers; ficou claro para Rory que ele nunca poderia ou que ele gostaria de ser como o Doctor, especialmente quando teve que escolher qual Amy seguiria em frente; anos de lavagem cerebral não foram suficientes para evitar que o momento certo com o Doctor mudassem River. E o Doctor, que começou a temporada aceitando sua morte apenas para descobrir que ele não estava pronto para isso. Além disso, o inevitável momento que os fãs de Doctor Who sempre temem também aconteceu: a despedida de seus acompanhantes.

Acostumados com as companions sendo jogadas em universos paralelos ou tendo suas memórias apagadas, imagino que os whovians ficaram alegres quando Rory e Amy tiveram um desfecho simples, porém elegante. A partida de ambos foi sendo preparada desde a estreia da segunda parte do ano, com o Doctor sentindo culpa por ter envolvido Rose, Martha e Donna em suas aventuras. Ele deveria parar antes que fosse tarde demais. Rory viu a consequência de se ter poder sobre o tempo e espaço em The Girl Who Waited, e o grande laço entre Amy e o Doctor foi cortado em The God Complex. Mas fora a separação feita cedo o suficiente? Teria Amy matado uma pessoa se ela não tivesse viajado com o Doctor?

Os personagens mudam, a trama muda, o público muda. E é assim que Doctor Who vai se inovando e conectando com a sociedade de qualquer época. Um homem louco com uma máquina do tempo é premissa o suficiente para a série continuar no ar durante muito tempo, mesmo com os eventuais hiatos de 16 anos.


Doctor Who: Let’s Kill Hitler

17/10/2011

Post original do dia 31/08/2011

[contém spoilers] A trapaça de Kansas City acontece quando todos olham para a direita e você olha para a esquerda. No caso em questão, quando todos achavam que a história seria centrada em Hitler, mas o que vimos foi o início da jornada de uma fantástica personagem deste universo chamadaRiver Song. Steven Moffat novamente explode cabeças ao trancar o Führer no armário no começo do episódio e passar o resto dele matando o Doctor e evoluindo River. E é aqui que fica complicado. Se você é daqueles que necessitam de uma lógica linear e exata para entender e gostar de algo, esqueça. River Song é sinônimo de paradoxo. O fato do amor entre River e Doctor ser paradoxal (ela se apaixona por ele porque o Doctor sabe tudo sobre ela, mas ele só tem esse conhecimento devido ao tempo que River já havia passado com ele e vice-versa)  é fichinha ao se comparar com o fato de que a melhor amiga de Amy e Rory, a qual os uniu (!), é na verdade sua filha (o nome homenageado é o nome original). Ou seja, esqueça também o modo de educação familiar básico, porque aqui a criança é criada por sua mãe antes mesmo dela saber que tem uma filha. Lembrando que essa filha, diga-se de passagem, cresce com tendências psicopatas, cometendo atos ilegais e com um único objetivo, o qual, ao ser concluído, será completamente errôneo. Isto faz com que a mesma abra mão de sua imortalidade para ressuscitar o homem que ela passou toda sua vida querendo matar. Assim é Doctor Who: uma brilhante dor de cabeça com os ocasionais seres preconceituosos viajantes do tempo. Além de toda tramaRiver/Doctor/paradoxo/lavagem cerebral/redenção de lado, é preciso também mencionar a alegria que foi rever as companions passadas (mesmo que em holograma estático) e a nova atitude pró ativa e agressiva de Rory. Agora é tentar encaixar os eventos deste extraordinário Let’s Kill Hitlerem uma timeline wibbly-wobbly e pensar que na próxima semana será provado que monstros são, de fato, reais.


Doctor Who: Quem é River Song?

17/09/2011

[Esse texto foi publicado originalmente no dia 11/05/2011, logo após a exibição do segundo episódio da sexta temporada, no site LiGado em Série.]

Ela aparece sem aviso algum. Sabe o nome real do Doctor, consegue pilotar a TARDIS melhor que ele mesmo e possui um diário com todo o futuro dele.River Song – a personagem mais complexa e enigmática do universo Who. Desde que ela apareceu na 4ª temporada, todos se perguntam quem é essa mulher que discute, argumenta e age em um nível similar do Doctor. Durante a 5ª temporada, a questão foi ficando ainda maior, pois mais fatos de sua vida foram revelados. Finalmente chegamos na 6ª temporada, em que Steven Moffat promete mostrar a verdadeira identidade de River. Mas se você gosta de especular, há uma teoria que bate muito bem com os fatos mostrados durante os oito episódios que a Dra. Song aparece. Seria ela a futura Amy Pond? Seria uma próxima regeneração do próprio Doctor? Ou seria uma personagem recém apresentada?

Primeiramente, vamos falar sobre a linha do tempo de River. Já ficou bem claro que River e o Doctor viajam em direções opostas – enquanto ela o conhece mais, ele a conhece menos e vice-versa. Analisando os episódios passados, é possível criar a timeline do ponto de vista de River. No entanto, devemos levar em conta que ela é uma viajante do tempo, então é difícil colocar em uma linha reta o que deve ser uma coisa wibbly wobbly timey wimey. De qualque forma, é preciso entender que, como estamos vendo os eventos do ponto de vista do Doctor, toda vez que vemos River ela é uma versão diferente da personagem.  A versão mais velha é a da Biblioteca, quando a primeiro conhecemos. A versão mais nova é a da aventura nos EUA, que vimos nos episódios de estreia do 6º ano. Segue um simples gráfico para tornar a idéia mais clara:

É evidente que a Biblioteca é o último lugar onde River vai, pois trata de sua morte. Nesse episódio, ela cita os eventos da Queda de Bizâncio, o Piquenique em Asgard (o qual aconteceria mais cedo para o Doctor) e a noite em Dorillian, que teria acontecido logo antes dela ir à Biblioteca. Na segunda vez que a vemos, estamos em Alfava Metraxis, quando a nave contendo um Weeping Angel cai no Bizâncio. River cita Bone Medows, um evento localizado no começo de seu diário. Ao final do episódio, ela revela que eles se encontrarão novamente quando a Pandórica abrir, deixando claro que este evento é posterior ao vivenciado no final da temporada. É possivel colocar os EUA antes de Pandórica pelo fato de que ela ainda está na prisão e pelo que é dito após o beijo. Enquanto aquele é o primeiro beijo para o Doctor, é o último para ela, pois a partir de então ele a conhecerá cada vez menos (eles não se beijam no Bizâncio, na Pandórica ou na Biblioteca). Dorillian demonstra o fator timey wimey citado anteriormente. Teoricamente, por ser o último evento de River antes da Biblioteca, ela deveria ter encontrado um Doctor novo, que quase não a reconhecesse. Mesmo assim, ela descreve uma noite íntima, na qual qual ele a presenteia com a chave sônica do futuro e derrama lágrimas por saber de sua morte. Se olharmos para a linha do tempo de trás para frente, temos a ordem que nós e o Doctor estamos encontrando River Song. Quando entendemos isso, a cena da Biblioteca em que o Doctor diz que não a conhece faz muito mais sentido, e fica extremamente mais triste. Principalmente quando juntamos esse conhecimento como a fala de River no episódio 6×01: “Fico ansiosa por nossos encontros, mas sei que toda vez que isso ocorre, ele estará um pouco mais distante. E o dia está chegando em que aquele homem me olhará, meu Doctor, e ele não terá a mínima ideia de quem eu sou. E eu acho que isso vai me matar”. Uma trágica história de amor.

Agora que já entedemos como funciona a linha do tempo de River, vamos para a parte mais importante: sua identidade. Teorias como “River Song é Amy Pond” e “River Song é o Doctor” podem ser facilmente descartadas por vários motivos, mas a principal razão é porque interagir com o passado pode abrir um buraco no universo (sem contar que seria errado em vários níveis o Doctor beijar a si mesmo). Então o que é viável? Para mim e todos que acreditam nessa teoria, a resposta foi dada no início dessa temporada. River Song seria a filha de Amy, a qual é a garotinha que fugia do Astronauta e que se regenerou ao final do episódio. Pense bem, quando Amy tivesse seu bebê, o Doctor estaria ao seu lado. Por algum motivo, ele descobriria que a menina é River,  e esse é um assunto que ele conhece bem. A razão pela qual River se apaixona pelo Doctor é porque ele sabe tudo sobre ela, assim como o Doctor a ama por ter um conhecimento mais avançado que o seu. Eles estão presos em um ciclo vicioso temporal, pois River só possui esse conhecimento devido ao tempo que passou com o Doctor, e o Doctor só sabe da vida de River devido ao tempo que ela passou com ele – um instiga o outro. Viagem no tempo, um tópico absolutamente fascinante.

Mas voltando à teoria. Ao final do episódio Day of The Moon, Amy diz que estava preocupada que seu bebê sofresse de algum efeito causado pelo tempo que ela passou na TARDIS. Sua filha pode não ter uma “cabeça temporal”, mas poderia muito bem adquirir a habilidade de se regenerar. No mesmo episódio, a TARDIS não consegue identificar com certeza se Amy está grávida ou não. Isso me parece o resultado de duas realidades se sobrepondo (em uma Amy está grávida, na outra não), o que poderia ter sido causado pelo Silêncio. Esse efeito poderia ser a causa do mal estar de Amy e River após o encontro com a criatura (Amy estaria se sentindo mal por “perder” o bebê, consequentemente apagando a existência de River). A mulher com o tapa olho que Amy viu no 6×01 e 6×03 também poderia ser dessa suposta realidade alternativa, na qual ela não estaria grávida. Mas isso não é o que me preocupa. Presumindo que River é a filha de Amy, assim como a garotinha, por que ela está sozinha em 1969? Onde está o Doctor, Amy e Rory? Um outro fato que acho bem interessante é que, considerando a morte do Doctor legítima  em The Impossible Astronaut, isso significa que River passa o resto da sua vida sabendo como ele irá morrer, e o Doctor também sabe todo o tempo como é o fim de River na Biblioteca. Uma situação poética e triste, como grande parte da escrita de Steven Moffat.

O que vocês acham da teoria? Faz sentido ou vocês tem uma visão diferente? Poderíamos esperar a temporada responder quem é River Song, mas qual seria a graça disso?


Torchwood: Miracle Day

04/08/2011

Atenção: Spoilers!

O sarcasmo, o lado sombrio dos personagens e o humor negro tipicamente inglês foi o que me chamou atenção quando esse spin-off foi lançado. Doctor Who é fantástico, mas por ser um seriado familiar e parte da cultura inglesa, ele tem que ser um tanto quanto moderado e inocente.Torchwood nasceu destinado a uma faixa etária elevada, prometendo usar e abusar dos elementos bizarros e politicamente incorretos da premissa do programa. E a promessa foi comprida. Toda semana havia aquele aspecto grotesco, aquelas criaturas que lhe embrulhavam o estômago e decisões difíceis sendo tomadas, sempre beirando a subjetiva moralidade. E isso foi Torchwood UK, funcionando perfeitamente durante três temporadas. Miracle Day é uma nova série. Isso já estava implícito desde que a Starz virou co-produtora, e a história foi para solo norte-americano. Era óbvio que a textura do seriado iria mudar, agora com um orçamento muito maior e com o aumento da audiência destinada. Consequentemente, a série não poderia ser mais tão dark como antes. O ponto é que não adianta ficar comparando muito as duas versões. Torchwood US é o que temos agora. Captain Jack Harkness e Gwen Cooper estão de volta, inseridos em uma trama que promete. Resta torcer para que os roteiros de Russell T. Davies não sejam muito podados e que a história funcione como um todo.

“No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolumente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma pertubação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes de história universal, nem ao menos uma caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante (…)”. Tal trecho é o começo do livro As Intermitências da Morte, de José Saramago. Ele retrata um universo no qual a humanidade perdeu o dom da mortalidade, e todas as consequências desse fato. Torchwood, mesmo com apenas dois episódios exibidos até o momento, mostra seguir a história do livro e, se continuar assim, é de se esperar grandes dilemas éticos e morais no futuro. Os dois episódios foram meio parados, ainda que com muitos cortes rápidos. Mas isso é necessário para que o novo público se acostume e acompanhe a trama. O importante foi mesmo o retorno dos dois únicos sobreviventes do instituto britânico. Adorei a atuação de Eve Myles, com uma Gwen que claramente sentia falta de toda a ação. Também foi interessante o choque de sotaques. Quem assistia a série antiga estava acostumado com todo aquele sotaque britânico/galês e somente Jack americano. Agora é Gwen quem se destaca, com um delicioso sotaque galês (e ela não perde nenhuma oportunidade para reafirmar sua nacionalidade) no meio de tanto americano. Como bônus, Rhys ficou em Gales  com o bebê (me desculpe quem gosta do casal, mas eu não suporto o cara desde a primeira temporada). Foi ótimo rever Jack depois de tanto tempo, mas ele parece fora de personagem. Não fez suas piadas e tiradas típicas e, o pior, não flertou com ninguém! Era de se esperar que os eventos da terceira temporada tivessem algum efeito sobre ele, mas teria Jack mudado tanto assim?

Também temos Mekhi Phifer, como o egocêntrico agente da CIA Rex (eu ainda vou escrever um artigo sobre esse pessoal de ER que tomou gosto pelas series sci-fi). Ainda não gosto muito dele, mas também não o odeio. As atrizes que interpretam a analista Esther e a Doutora Vera fazem um bom trabalho, e acho que suas personagem têm potencial para cativar o público. Mas na minha opinião, os verdadeiros acréscimos para a série foi Bill Pullman e Lauren Ambrose. Sabia que Pullman iria arrasar na interpretação, mas o que me deixou surpresa foi o caráter de seu personagem. Ele normalmente faz papéis cômicos, e o assistir como um assassino é interessante. Espero que seu desempenho seja algo semelhante o de John Lithgow, na quarta temporada deDexter. Ao ver Ambrose, já fiquei com vontade de reassistir Six Feet Under. A ex-Claire Fisher entra com uma personagem frenética, e que provavelmente será um problema para a equipe. Resumindo, estou feliz que a série tenha voltado, mesmo que diferente. Ainda é necessário mais alguns episódios para se formar uma opinião mais sólida, mas Miracle Day está se mostrando uma boa temporada. Para os que curtem uma interatividade de mídias digitais, fica a dica deTorchwood: Web of Lies (meio que seguindo o estilo dos jogos da iniciativa Dharma, de Lost). A BBC lançou o aplicativo que, após cada episódio ser exibido, é liberado um mini episódio emmotion comic, narrado por Eve Myles, John Barrowman e Eliza Dushku (Dollhouse). São duas histórias simultâneas: uma que se passa em 2007, com Gwen e Jack, e outra durante os eventos de Miracle Day. Você deve resolver alguns problemas de raciocínio para poder seguir em frente. O primeiro mini episódio é grátis e os outros são acumulados em pacotes de três, custando um dólar por pacote.


Novas Cenas de Doctor Who

19/07/2011

Ao final do sensacional mid-finale da 6ª temporada de Doctor Who, fomos deixados apenas com uma imagem. Agora, como parte de um trailer das séries da BBC, rápidas novas cenas da segunda parte da temporada foram divulgadas. O pessoal do site Doctor Who TV cortou apenas as cenas de DW, e em seguida as colocou em slow motion para poderem ser apreciadas melhor. Temos Amy fodona, criaturas bizarras, o retorno de um carismático personagem e um possível beijo.


Filme: FAQ About Time Travel

31/03/2011

“Querida Hollywood, por favor pare de fazer filmes porcarias. Aqui vão algumas dicas para ajudar: 1) A história é o principal. Sempre foi e sempre será 2) Refilmagens 3) Jude Law 4) Han atirou primeiro 5) Mais Firefly e/ou Serenity”. Essa é uma carta que três amigos estão escrevendo enquanto tomam cerveja em um bar. Logo depois, eles caem em um vazamento temporal.

Esse é um filme recomendado para aqueles que são possuídos por uma grande felicidade quando leem palavras como paradoxo, teoria do caos, linha do tempo e universo paralelo. Perguntas Frequentes Sobre Viagem no Tempo foi lançado em 2009 pela BBC e HBO. Protagonizado por Chris O’Dowd (The IT Crowd) e com a participação de Anna Faris (Todo Mundo em Pânico), a trama é uma comédia que trata sobre viagem no tempo por pessoas que têm noção sobre o assunto (não é como filmes de zumbi em que os personagens nunca ouviram falar sobre zumbis).

Com duração de 1h20, o filme pode ser visto tanto por profissionais da área (formado em De Volta para o Futuro, especializado no Guia do Mochileiro das Galáxias e com doutorado em Doctor Who) como por iniciantes (já ouviu falar daquele filme com o Arnold Schwarzenegger). Para os amadores é uma trama diferente e, para os viciados, mais uma obra cheia de referências e clichês (não no sentido negativo). FAQ About Time Travel possui um orçamento baixo, mas isso não faz diferença alguma. A história em si faz com que efeitos especiais e cia sejam dispensáveis.

Em suma, se você é daquelas pessoas que não pisca quando vê uma estátua ou que sempre carrega uma toalha consigo, agora nunca mais vai querer entrar em um banheiro público.


Outcasts – 1×01: Episode 1

14/02/2011

Após uma guerra nuclear, o planeta Terra se tornou um lugar praticamente inabitável. Os humanos encontraram um novo planeta para colonizar, e todas as intrigas e corrupções irão fazer todos se sentirem em casa. Original? Não, mas é interessante. E lembra Battlestar Galactica….

Spoiler Alert!

A série começa sem um monólogo de introdução. Uma decisão ousada, já que se o telespectador não prestar atenção, a história não fará sentido logo nos primeiros 15 minutos. Somos então apresentados a Carpathia (o planeta), Forthaven (a primeira instalação humana), o serviço PAS (Protection and Security), a nave que está tentando entrar na atmosfera do planeta e ao ótimo elenco que leva a trama.

Se a premissa de poucos humanos sobreviventes procurando por uma nova casa e todo o ambiente da série em geral não fossem o suficiente para lembrar Battlestar Galactica, o próprio Apollo (Jamie Bamber) faz isso para você. Bamber interpreta Michell, um explorador que não concorda com a política do PAS. No elenco também se encontram Amy Manson (Alice Guppy, de Torchwood) e Eric Mabius (Ugly Betty, Resident Evil).

A série é gravada na África do Sul, deixando o local verossímil ao proposto. Os efeitos especiais, que são essenciais nesse tipo de programa, não deixam a desejar, como é possível perceber logo na primeira cena com uma nave se aproximando de Carpathia.

No final do episódio, fica aquela coisa de “as coisas não são o que parecem”, além de várias perguntas secundárias. Como cliffhanger, temos a chegada de mais humanos no planeta; e um indivíduo específico que promete abalar o sistema de Forthaven. Pra mim, foi o suficiente para ficar com vontade de ver o próximo episódio.

A série não é totalmente sci-fi, uma vez que a trama principal está na relação entre as personagens no planeta, e não no espaço. Por isso, aqueles que não gostam de guerras interestelares podem dar uma chance a produção. Assim como a maioria das séries da BBC, a temporada é curta, com apenas 8 episódios. Dessa maneira, vale a pena assistir Outcasts, pois não tem como ficar muito enrolado. Sem contar que o menininho da história não é tosco. Sempre um ponto positivo.

Texto também disponível no Série Maníacos


Séries para Leigos: Miranda

28/09/2010

Durante uma das minhas visitas ao fantástico mundo do Tumblr, um usuário afirmou ter encontrado uma série que personificava essa ferramenta. Como eu acho a linguagem e o ritmo de tal esfera muito interessante e divertido, fui rapidamente me atualizar. É necessário poucos minutos para se apaixonar pela sitcom britânica Miranda. Com o visual retrô inspirado nos anos 70 e um roteiro hilário, o seriado é escrito e protagonizado pela comediante Miranda Hart. Ela interpreta uma mulher de 1,85 m de altura com 34 anos, a qual acha situações sociais desagradáveis e é um constante desapontamento para sua mãe por não ser casada. Ela é dona de uma loja de brincadeiras e quem a gerência é sua melhor amiga, Stevie. Miranda sempre foi apaixonada por Gary e quando este vira chef de um restaurante perto de sua loja, ela vê a oportunidade perfeita para tentar algo além da amizade. No entanto, por não possuir muitas habilidades sociais, isso se torna um tanto difícil.

Antes de se tornar série de TV, a trama fazia parte de um programa de rádio, chamado Miranda Hart’s Joke Shop. Em 2009, a história foi adaptada para o formato de televisão, e começou a ser exibida pelo canal BBC Two. Miranda já possui duas temporadas e a terceira será exibida pelo BBC One (provavelmente em 2012). O seriado atingiu grandes números de audiência na Inglaterra, fazendo com que Hart ganhasse prêmios em eventos como o British Comedy Awards e fosse indicada em várias categorias do BAFTA. Neste ano, a série participou do evento Comic Relief, em que se arrecada fundos para caridade (Doctor Who participa com quadros todos os anos). Uma das melhores características da série é que Miranda constantemente fala com a câmera, trazendo o telespectador para dentro da história e tornando-o testemunha e cúmplice de suas aventuras. Todo o episódio começa com um monólogo da atriz, que então diz “anteriormente na minha vida…”, e nos apresenta situações inéditas. Miranda não é uma comédia inteligente, mas com certeza é engraçada. Nada melhor para assistir depois daquele dia estressante. Veja um teaser da série.


Torchwood: The New World

18/08/2010

Quando Torchwood (spin-off de Doctor Who) foi renovada para a 4ª temporada, ninguém sabia ao certo como a trama seguiria em frente, considerando os eventos da brilhante série 3: Children of Earth. Para a felicidade dos fãs, foi divulgada a sinopse oficial da nova temporada, a qual será gravada tanto no Reino Unido como nos EUA:

” Quando o agente da CIA, Rex Matheson, investiga uma conspiração global, ele se encontra desenterrando uma ameaça que desafia toda a raça humana.

As respostas parecem estar em um velho instituto secreto britânico, conhecido apenas como Torchwood. Mas Torchwood foi destruído anos atrás, e a chave para o instituto está nas mãos de seus dois únicos sobreviventes – a ex-policial Gwen Cooper, que há muito desapareceu junto com seu marido e filho, e o misterioso Capitão Jack Harkness, um homem cuja história parece se estender durante séculos.

Com Rex sob ataque de todos os lados – nos E.U.A e no Reino Unido – ele logo descobre que há forças em ação dentro de todos os níveis da sociedade, determinadas a evitar o retorno de  Torchwood. Uma cadeia de eventos em todo o mundo liga os mais diferentes e improváveis indivíduos – incluindo um cirurgião, um assassino, senadores e executivos – e uma nova equipe Torchwood toma forma. Mas desta vez, a ameaça é muito mais próxima, uma vez que eles percebem que seu maior inimigo é a própria humanidade .”

Parece promissor! Foram encomendados 10 episódios, os quais serão escritos por uma equipe liderada por Russell T Davies (showrunner de Doctor Who durantes as primeiras quatro temporadas). As gravações serão iniciadas em janeiro de 2011, e a série será divulgada no Reino Unido pela BBC 1 e nos Estados Unidos pelo canal fechado Starz.


Abertura de Doctor Who durante as décadas

19/07/2010

É possível encontrar no You Tube vídeos de aberturas de “tal seriado” se fosse em “tal época” feito por fãs, como Lost nos anos 60 ou Firefly nos anos 80. No entanto, Doctor Who é uma das únicas séries que possui um registro oficial de aberturas durante quase cinco décadas, constatando no recorde do Guinness como programa de ficção científica mais longo e mais bem sucedido.

Para o pessoal que não conhece muito sobre a história do Doutor, o seriado foi criado em 1963 e completou 26 temporadas até 1989. Em 1996, foi lançado um filme para a televisão e, finalmente em 2005, a BBC relançou a série que continua no ar até hoje.  Atualmente, temos 31 temporadas passando por 11 Doctors diferentes, sendo David Tennant (2006-2009) o mais popular.

O interessante é observar a evolução dos protagonistas durante os anos, retratando a ideologia de cada época. Confira as aberturas desde 1963 até 2010, com um vídeo no final retratando os 11 Doutores.

1963 – 1º Doctor – William Hartnell

1967 – 2º Doctor – Patrick Troughton

1970 – 3º Doctor – Jon Pertwee

1974 – 4º Doctor – Tom Baker

1982 – 5º Doctor – Peter Davison

1984 – 6º Doctor – Colin Baker

1987 – 7º Doctor – Sylvester McCoy

1996 – 8º Doctor – Paul McGann (Telefilme)

2005 – 9º Doctor – Christopher Eccleston

2006 – 10º Doctor – David Tennant

2010 – 11º Doctor – Matt Smith

11 Doctors – Tributo