Asylum of the Daleks: Conheçam os Daleks-Cylon e os Daleks of the Dead

03/09/2012

Sempre fui fã da escrita wibbly-wobbly de Steven Moffat (quem já leu meus outros textos sabe disso). Acho que ele é capaz de criar personagens fortes e misteriosos e tramas bem amarradas. Ele fez um fantástico trabalho trazendo o 11º Doctor à vida e nos envolvendo numa história cheia de suspense com os Silence. Na estreia da 7ª temporada, no entanto, foi possível descobrir a criptonita do roteirista: os Daleks.

Acredito que o episódio mais fraco do 5º ano foi Victory of the Daleks, e pensei que Moffat iria se redimir com esse início de temporada. Mas embora a história seja interessante, o maior defeito é a perda de identidade desses robôs nazistas que foram inventados lá na década de 60. Uma das características que eu mais gosto do Moffat é que com ele nada é preto ou branco; ninguém nunca é totalmente bom ou totalmente ruim. Porém, foi exatamente esse ponto de vista que prejudicou o episódio. Não me entendam mal, adorei ver Daleks humanos sleepers e me deu um medinho estilo The Walking Dead com aqueles cadáveres se movendo como zumbis. Mas juntando esse conceito com o próprio asilo e o “trato” feito com o Doctor, os Daleks perderam um pouco de sua essência. Esse é um grupo de personagens que não precisa e não deve ter um desenvolvimento. Daleks exterminam tudo que não é Dalek. Orgulho e ódio os definem, e eles seguem esse padrão por mais que ele não seja a melhor estratégia. É isso que torna esses vilões tão assustadores. Essa trama toda de converter humanos os trouxe perto demais dos Cyberman, que possuem um objetivo completamente diferente. Só houve um Dalek que saiu ganhando com a escrita do showrunner: nossa querida Oswin Oswald.

Assim como todos os fãs, sabia que Jenna-Louise Coleman faria seu debut como companion no episódio de Natal, então fui totalmente pega de surpresa com a sua aparição. Estou triste com a partida da girl who waited, mas o futuro parece promissor com a girl who can. Não sei como Moffat vai trazer Coleman novamente para a história, mas se sua personalidade for como a demonstrada nesse episódio (e tudo indica que será), teremos ótimas tramas em 2013. Li algumas reclamações de fãs dizendo que as personagens femininas de Moffat possuem sempre a mesma personalidade. É verdade que Amy, River e Oswin possuem várias qualidades semelhantes, mas dizer que as três são iguais é um erro. Sem contar que para estar ao lado do Doctor, elas precisam ter esse perfil. Achei Oswin fantástica, e o fato dela ser um gênio e colocar muitas referências e flertes nos seus rápidos diálogos não me incomoda nem um pouco. O que me incomodou quanto aos personagens foi essa separação da Amy e do Rory. Até fiquei animada ao ver a briga dos dois no final de Pond Life e o pedido de divórcio no início do episódio. Claro que os dois iriam ficar juntos novamente, mas essa nova situação tinha tantas possibilidades para sua causa e consequências. E dai a Amy me solta aquela explicação. Eu entendo o que o Moffat quis colocar ali – sei que ele não estava querendo dizer que mulher que não pode ter filho é inválida – mas mesmo assim é um péssima razão. Como assim os dois não discutiram nada sobre o assunto? Isso era tão fácil de se resolver que eles fizeram as pazes em cinco minutos. Desperdício de uma trama interessante.

Mesmo com esses defeitos (e a grande dúvida de como a voz de Oswin não a revelou como Dalek durante toda a trama), Asylum of the Daleks foi um episódio legal. O mais fraco dos inícios de temporada de Moffat, mas dizer que foi horrível é exagero. Tivemos ótimas tiradas, uma atitude badass do Rory e a melhor resposta de Amy quanto ao seu temperamento. Adorei o final da história, com os Daleks e o próprio Doctor indagando a pergunta feita em The Wedding of River Song: Doctor Who? Será que esse ano iremos mesmo descobrir seu verdadeiro nome?

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Crítica: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

27/07/2012

Christopher Nolan não tem que provar nada a ninguém. Além da trilogia do Cavaleiro das Trevas, ele é responsável por escrever e dirigir os filmes Amnésia, O Grande Truque e A Origem. Por isso a pergunta desse terceiro filme nunca foi se ele seria bom, mas o quanto épico. Nolan não só manteve todos os aspectos que vinham contribuindo para a trilogia, mas dobrou a dose nesse evento final de 2h45 de duração. O Coringa espalhou terror pelos cidadãos de Gotham City e fez da cidade seu próprio playground, mas isso não foi nada comparado ao que Bane tem planejado para o lugar. A violência aumenta, o drama é constante e as decisões éticas e morais de cada personagem serão questionadas todo o tempo enquanto vemos a ascensão de um herói após uma enorme queda. São raros os momentos que você pode piscar tranquilamente.

O clima sombrio de Gotham recebe três novos personagens além do vilão: Anne Hathaway como a Mulher-Gato, Joseph Gordon-Levitt como o jovem policial John Blake e Marion Cotillard como Miranda Tate, a única pessoa da Wayne Enterprises que ainda acredita fielmente nos planos de Bruce Wayne. Todos fazem um trabalho fantástico, com destaque para Hathaway que conseguiu fazer o que Halle Berry não pode: criar uma Mulher-Gato muito mais legal que a interpretada por Michelle Pfeiffer. Aqui ela é uma ladra atormentada por um passado não revelado e todo seu uniforme é funcional, nada de itens estéticos, nem mesmo as “orelhas”. Levitt mostra um amadurecimento grande, uma óbvia evolução de A Origem. Cotillard fica mais apagada em meio de tantos personagens com grandes habilidades, mas é fundamental para a história. Enquanto o Coringa era assustador pela sua loucura, Bane deve ser temido por sua estabilidade mental. O perigoso não é sua bizarra máscara, mas a mente que consegue juntar um exército de pessoas extremamente fiéis a ele. E claro que sua força e técnicas de luta contribuem ainda mais para sua imagem. Com um elenco de apoio tão bom, Christian Bale teve que elevar seu Batman a um patamar mais alto. Ele se entrega ao papel nada fácil e adiciona mais camadas ao já complexo herói.

Mesmo com grandes explosões, bat-veículos novos, lutas memoráveis e efeitos especiais de alta qualidade, a trama sempre volta para as decisões dos personagens. São essas escolhas individuais que montam o filme desde o começo, e formam a situação de caos em que eles estão inseridos. Em que lado você está e até onde está disposto a ir para defender o que considera correto? A história é um grande acumulo de ações e consequências, e quando a realidade toma uma forma apocalíptica, você irá fugir ou lidar com a situação que você ajudou a criar? A violência não é gratuita e o objetivo não é superficial. Fantasmas dos dois primeiros filmes voltam para assombrar o cavaleiro mascarado e o final dessa lenda não deixa pontas soltas. Deixa apenas saudades dos personagens que revolucionaram esse gênero de história.

Nota: 5


Crítica: Prometheus

07/06/2012

Nos comentários de Alien (versão do diretor, de 2003), Ridley Scott admite não ter feito um filme sci-fi depois de Blade Runner porque não achou mais nenhuma ideia única. Ele também expressa a vontade de explorar quem era o Space Jockey, que aparece no começo do filme que fez a fama do diretor no mundo cinematográfico. Com um visual espetacular, Prometheus traz o terror de volta ao gênero sci-fi e explora os acontecimentos pré-Alien. O longa peca em alguns aspectos se visto como uma obra independente, mas é fenomenal como o prólogo da história do alienígena que explode o tórax de seu hospedeiro.

Ridley tentou despistar os fãs dizendo que Prometheus não seria relacionado com seu segundo filme. Mas muitos já sabiam que o Sr. Scott é um grande mentiroso. A história segue dois cientistas que descobrem um padrão estrelar em diversas culturas antigas, e viajam até outra galáxia seguindo o “mapa”. Ao se deparar com um planeta nas coordenadas corretas, a tripulação  encontra muito mais do que esperavam. Com as mais variadas referências, o longa reconstrói o universo criado pelo diretor há 33 anos. Está tudo lá: a raça do Space Jockey, o estado primitivo do facehugger, a companhia Weyland, o andróide na tripulação, o terror causado pela criatura parasita e a mensagem que a equipe do Nostromo recebe no começo do filme de 1979. Não tem como um fã de Alien sair do cinema sem um grande sorriso no rosto.

No entanto, se uma pessoa assistir à produção sem ter a mínima ideia do que são as coisas citadas acima, sua resposta à trama será diferente. Como um filme independente, a mistura de querer explorar a origem dos humanos e criar um ambiente de terror e pânico é falha. Nesse momento, o longa pode parece ambicioso demais. Mas sem importar o passado cultural do público, a opinião sobre o visual e as atuações poderá seguir com certa unanimidade. Noomi Rapace (Os Homens que Não Amavam as Mulheres) convence em seu papel inocente, mas que cria uma coragem fantástica quando necessário. Michael Fassbender (Shame) arrasa como o robô David, aprendendo e imitando idiossincrasias humana, exibindo seu lado emocional dentro da lógica e seguindo seu próprio plano. Charlize Theron (Branca de Neve e o Caçador) mantém o nível, interpretando alguém que pode se comparar a um robô, mas mostrando emoções quando deparada com situações tensas. Sua personagem é interessante, e é uma pena que não foi melhor utilizada. Guy Pearce (O Pacto) está irreconhecível, e assim como Charlize, fica com um papel secundário que poderia ser melhor desenvolvido.

Diferente do roteiro de Dan O’Bannon (Alien), a trama se preocupa com o passado dos personagens, mas acaba por revelar informações desnecessárias. O interessante é que Damon Lindelof e Jon Spaihts colocaram em seu texto características da história de Blade Runner, com a necessidade da criação se encontrar com seu criador e a obsessão de conseguir mais tempo de vida. Mesmo com ocasionais erros no roteiro, algo que não decepciona é o visual do filme, o qual o 3D engrandece e destaca. A atmosfera fria, solitária e assustadora cheia de camadas fica ótima com a utilização correta da tecnologia.

Ridley quer que Prometheus faça sucesso por si próprio, mas a verdade é que a opinião pública irá variar conforme sua apreciação por Alien. No final da trama, conseguimos enxergar o futuro da quadrilogia dominada por Ripley, assim como uma continuação que o diretor obviamente gostaria de fazer.

Nota: 4,0


Crítica: MIB – Homens de Preto 3

26/05/2012

Os agentes K e J estão de volta numa trama surpreendentemente boa, simples e engraçada. Dez anos após o último filme, Will Smith e Tommy Lee Jones conseguem voltar naturalmente para seus papéis, e a adição de Emma Thompson e Josh Brolin ao elenco deixam a trama ainda mais interessante. A história do terceiro filme da saga traz um velho inimigo de K que foge de uma prisão lunar, 40 depois de ser capturado pelo agente. Ele volta no tempo e consegue realizar o sonho de todos os Exterminadores do Futuro: matar o jovem K em 1969, apagando o resto da sua linha do tempo. Em 2012, apenas J consegue lembrar de seu parceiro, e agora deve voltar no tempo também para salvar a vida de K.

Viagem no tempo é um assunto delicado de se tratar e, se escrito de maneira errada, pode virar um Heroes da vida. A grande sacada do filme foi manter as coisas simples: nada de mudar completamente o futuro por pisar numa borboleta ou causar danos irreparáveis por conversar com versões novas de agentes que o conhecem no futuro. Se o longa fosse Doctor Who, o fato de K ser apagado da linha do tempo iria gerar grandes consequências, fazendo com que até mesmo J nem trabalhasse na agência (pois foi K que o trouxe). Todas essas outras regras funcionam para seus respectivos  filmes e séries, mas para que o humor de MIB 3 funcionasse, a trama realmente não poderia ficar muito complexa. Os roteiristas usaram apenas o básico de viagem no tempo: como J volta antes do Boris (o vilão) atual, o passado fica com dois Boris: o de seu próprio tempo e o que voltou. Como bônus, ainda temos um personagem enigmático que consegue ver todos os futuros e presentes possíveis. Aqui a trama lembra muito Fringe e os Observadores, ainda que Griffin seja muito mais carismático que os carecas da série.

Acostumados com a personalidade dura de K, foi ótimo explorar seu lado mais inocente e brincalhão, mesmo que seu rosto continue não sendo capaz de fazer mais de duas expressões. Josh Brolin fez um grande trabalho retratando o jovem K, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Parece que os anos não passaram para Will Smith. Ele está energético como no primeiro filme, pronto para fazer suas piadas e perseguir aliens. Os vídeos e fotos promocionais do longa traziam dois vilões, interpretados por Jermaine Clement e pela Pussycat Doll Nicole Scherzinger. A participação da cantora é praticamente uma tecnicalidade, enquanto Clement fica com um personagem que lembra um pouco o antagonista do primeiro filme e que funciona na trama.

Adicionando o trabalho exemplar da direção de arte que cria o ano de 1969 e da equipe responsável pelos efeitos visuais e criação dos alienígenas, Homens de Preto III torna-se uma boa aposta para se assistir nos cinemas. Vale tanto para os fãs dos outros filmes acharem referências (como o pôster gigante de Frank no quarto de J), para os fãs de séries sci-fi (ache os Daleks nos jetpacks) ou para quem quer apenas assistir um filme de comédia.

Nota: 3,5