Filme: A Casa dos Sonhos

04/11/2011

Nada se cria, tudo de copia. Jargão utilizado bastante no meio cinematográfico, não possui uma conotação negativa necessariamente. O problema não é a cópia, mas a qualidade do resultado final. A Casa dos Sonhos, que estreia nos cinemas hoje, não é nada original, todavia tem potencial para surpreender o público. Digo potencial porque o filme possui essa qualidade, que é totalmente destruída pelo trailer. Assisti a obra com apenas uma lida rápida na sinopse. De tal forma, me surpreendi com as duas reviravoltas da trama, principalmente a primeira. Agora, se você viu o trailer, a graça do filme é quase totalmente perdida. A história trata de Will Atenton, que larga seu emprego de editor e muda-se com sua família para uma pequena cidade. Após algum tempo na casa nova, a família descobre que os donos anteriores foram assassinados, ao mesmo tempo que pessoas estranhas começam a ameaçá-los. Para os que não viram o trailer antes, a trama pode ser separada em duas partes bem distintas. Durante a primeira, o público tenta desvendar o mistério da casa: se estariam lidando com a volta de um assassino ou com algo sobrenatural. É então que há uma enorme virada na história. Somente quando o choque passa e as informações sendo dadas começam a fazer sentido novamente, é possível se ver envolvido numa busca que não poderia ter sido prevista (se não fosse pelo trailer, claro).

Mas com trailer ou não, um fator fundamental para que a história funcione é que seja criado um laço entre a família e o público, algo que é construído com sucesso nos primeiros dez minutos. As filhas são meninas fofas de 5 e 7 anos, impossíveis de não se apegar. A esposa é Rachel Weisz, uma atriz com o rosto conhecido por filmes com bastante carga emocional, que aqui não peca na atuação. A surpresa fica quanto ao carisma de Daniel Craig. Normalmente visto em papéis heróicos e impessoais, como emCowboys & Aliens, Craig mostra saber criar um personagem mais emocional e com afeto. O roteiro (de David Loucka) segue bem até quase o final, quando os clichês falam mais alto que a trama. Até então, mesmo com alguns deslizes, a história mostra-se coerente. Na investigação sobre os assassinatos, por exemplo, o clichê de achar uma película com informações importantes acaba mais verossímil devido ao projetor improvisado com uma lanterna e uma lente. A direção (Jim Sheridan) segue bem, criando um ambiente de tensão na primeira parte do filme e preparando o público para a grande virada. A direção de arte não deixa a desejar, percorrendo dois caminhos com texturas bem diferentes. As cores e a disposição dos objetos da casa criam um ambiente acolhedor e seguro, enquanto o frio e a solidão do inverno se arrasta para a casa em um segundo momento.

Mesmo com algumas falhas de roteiro e final corrido, A Casa dos Sonhos mantém um suspense sólido. O que realmente irá afetar as opiniões sobre o mesmo é se a pessoa assistiu o trailer. Posso até me tornar repetitiva nesse ponto, mas isso é de vital importância. Se você já chega no cinema sabendo da primeira virada da trama, tudo que é mostrado até tal ponto não é apreciado, e a segunda virada serve apenas como evento complementar, o qual não se sustenta sozinho. Por esse motivo, o filme pode ser ruim e sem originalidade ou desconcertantemente bom.


Filme: Cowboys & Aliens

24/09/2011

Quando ouve-se falar de um filme envolvendo cowboys e aliens na mesma trama, com roteiro de Damon Lindelof (LOST), Alex Kurtzman e Roberto Orci (Fringe), Mark Fergus e Hawk Ostby (Iron Man), e com Daniel Craig, Harrison Ford e Olivia Wilde (House) no elenco, é de se ficar, no mínimo, animado. Infelizmente, a expectativa supera a realidade quando temos um filme consideravelmente cansativo e personagens com pouco carisma. Cowboys & Aliens, que estreia hoje nos cinemas brasileiros, conta a história de um homem que acorda ferido no meio do deserto, sem memória e com um bracelete de metal preso em seu pulso. Ele chega até a pequena cidade de Absolution, onde cohece um grupo de pessoas com as quais seguirá viagem, interrompida bruscamente por um ataque alienígena. O filme é divertido, mas não passa disso. Seguindo as características de um western, a trama segue uma estrutura básica, em que a viagem toma a maior parte da trama, com um número reduzido de diálogos. Isso faz com que a produção mantenha um ritmo lento, salvo quando há lutas contra os alienígenas.

Tal monotonia não é o que se esperava quando se tem James Bond e Indiana Jones em cena, mas é explicável pelo estilo adotado pelo diretor Jon Favreu (aqui menos competente do que no ótimo Homem de Ferro). O verdadeiro revés do longa é a clara falta do fenômeno da identificação do público com seus personagens. Craig faz o tão conhecido pistoleiro solitário misterioso, mas assim como acontece com o seu James Bond e outros papéis, ele não passa a emoção necessária para que a audiência realmente crie um laço com ele. Seu interesse é voltado para Ella, uma mulher que esconde um segredo. Wilde fica então presa a uma personagem que poderia ser melhor desenvolvida e que acaba sendo apenas um rosto bonito na tela. O casal tem seus momentos, mas no geral saímos com aquela sensação de que falta algo. Quem praticamente salva o filme é Ford, ator talentoso que convence na interessante transição de vilão western para mocinho sci-fi. O elenco secundário é bem formado, com destaque para Sam Rockwell, que interpreta o dono de um saloon.

O ponto alto de Cowboys & Aliens fica com sua fantástica fotografia, que consegue retratar de maneira bela a mistura entre o antigo do suposto deserto do Arizona com a tecnologia de seres de outro planeta. Os aliens em si não são algo surpreendentes, com o visual pouco inventido parecido com as criaturas de um filme de J.J. Abrams. O interessante mesmo são as naves, que por mais futurísticas que sejam, capturam os humanos com laços. Um detalhe que faz diferença. Cowboys & Aliens não é um filme ruim, mas não atende as exigências que se esperaria de uma produção com tantos nomes de peso envolvidos, embora, como sempre aponta o crítico Pablo Villaça, um roteiro tratado a 10 mãos tem grandes chances de não ser dos melhores, servindo apenas como um passatempo para aqueles que gostam do cult e do high tech.