A Town Called Mercy: Quando o Doctor Quase Cometeu um Erro

17/09/2012

Steven Moffat não estava brincando quando disse que essa temporada seria construída a partir de episódios independentes. O lado positivo é que a série fica mais dinâmica, fazendo com que você possa acompanhar as histórias sem uma regra. O lado negativo é que tramas como a “separação” dos Ponds ficam perdidas na narrativa. Embora Dinosaurs on a Spaceship tenha sido um episódio divertido, fiquei preocupada se Doctor Who se transformaria num seriado cheio de histórias legais, mas com um arco geral fraco. No entanto, em A Town Called Mercy, tivemos o retorno de um aspecto antigo da personalidade do Doctor, reforçando a necessidade de uma companion viajando com ele.

De cara esse episódio tinha tudo para ser um dos melhores da temporada: um ambiente western, um alien Terminator, o Doctor fazendo um Stetson revival e uma participação do fantástico Ben Brownder (hell yeah Farscape!). Para melhorar ainda mais esse cenário, foi possível enxergar novamente um pedaço da personalidade do Doctor que raramente vemos. Desde que a série voltou em 2005, a parte sombria do protagonista sempre esteve presente. Mas é somente quando ele viaja sozinho por muito tempo que esse aspecto começa a tomar conta. Muitas raças o veem como uma grande ameaça, e eles estão certos. Com todo o poder que o Doctor possui, ele poderia fazer o que bem entendesse com o universo, o que traria consequências negativas gigantes. Foi isso que vimos em The Water of Mars (2009) e The Runaway Bride (2006); minutos que seu ego dominou seu bom senso e agiu pensando apenas nele. O resultado de ambas situações foi contornado, mas poderia ter sido bem pior para a timeline universal e para ele mesmo. Quando o Doctor resolve entregar Jex para o Gunslinger, isso poderia ter o transformado para sempre, fortalecendo demais sua sombra. Afinal de contas, o que é mais assustador que o Doctor segurando uma arma? No entanto, Amy cumpriu seu papel como companion, e o trouxe para o lado sensato. Ficou claro que o Doctor não viaja acompanhado apenas por diversão, mas por uma questão de segurança. E é nessa narrativa que a troca de companions começa a ficar evidente: o Doctor precisa de alguém ao seu lado, mas os Ponds não podem mais o acompanhar.

A história fica ainda mais interessante quando analisamos quem é o vilão do episódio. Seria o cientista louco que cometeu atrocidades por razões supostamente altruístas e que está se esforçando para ter redenção? Ou seria a vítima de experimentos que está matando aqueles que o feriram? O episódio substitui essa resposta por uma ação: misericórdia. Até então eu concordo com a moral da trama, mas o final estragou a “lição do dia”. O Doctor levou em consideração o desejo de Jex para ser uma pessoa melhor, mas disse que não cabia a ele escolher como e onde se redimir. Mas foi exatamente isso que ele fez no final. Ele escolheu que iria morrer ali numa explosão, tomando o caminho mais fácil e nada digno.

Mesmo assim gostei muito do episódio. É difícil estragar uma trama que se passa num cenário de filmes de bang-bang, e a presença do xerife boa índole vs o exterminador vingativo serviu para solidificar a história. Amy teve um real propósito, algo que não se via desde a 5ª temporada. Agora nos resta esperar pelo Poder dos Três, e ver se os Ponds conseguem fazer a escolha entre o mundo fantástico do Doutor e a vida real.

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Telefilme confirmado para o aniversário de Doctor Who

09/08/2012

Com os 50 anos de Doctor Who ficando mais próximos, todos os tipos de rumores estão correndo pela internet. Mas hoje,  a BBC confirmou mais uma produção para a comemoração do aniversário: um telefilme mostrando a real origem da série, que estreou em 1963.

O roteiro fica por conta do veterano Mark Gatiss. Ele já escreveu vários episódios desde que o Doctor voltou em 2005, e também escreve Sherlock ao lado de Steven Moffat. “Eu quero contar essa história há mais tempo do que eu posso lembrar”, afirma Gatiss. “Para fazer isso no 50º aniversário é simplesmente um sonho virando realidade”. Moffat, como sempre, é ainda mais ambicioso: “A história de Doctor Who é a história da televisão – então nada melhor que no ano do aniversário façamos nossa viagem no tempo mais importante para ver como a Tardis foi lançada.

O filme irá tratar também de como o 1º Doctor, William Hartnell, fez a transição de papéis de um homem duro para o herói de muitas crianças. Detalhes sobre a produção serão confirmados no ano que vem.


Preview: A 6ª Temporada de Doctor Who

03/05/2011

Finalmente chegou o dia! Estreia hoje simultaneamente na Inglaterra e nos EUA a 6ª temporada de Doctor Who! Eu, como fã suprema do “homem louco com uma caixa”, não poderia estar mais ansiosa. Amava Eccleston e Tennant na obra de Russell T. Davies, mas Steven Moffat adicionou algo mais que Matt Smith na fórmula. Ele adicionou conto de fada, romance e magia, em um doutor mais positivo e vigoroso. Mas isso não exclui todas as criaturas bizarras e as tramas que te deixam com um nó na garganta ao final do episódio. Depois de nos presentear com a (quase) perfeita 5ª temporada, Moffat nos fez sofrer por meses esperando o retorno da gangue em uma história que envolve a Casa Branca. A estreia em duas partes começa com Amy, Rory e o Doctor no deserto de Utah, e passa para o Salão Oval em 1969. Quem já viu os promos, sabe o que os aguarda e, aparentemente, poderemos esperar características de “Blink” nos episódios, com as consequências de olhar (ou não) para os aliens e com personagens deixando mensagens para si mesmos. Também teremos a participação do ator multifuncional Mark Sheppard, que já participou de inúmeras séries como Battlestar GalacticaSupernaturalWarehouse 13 e Medium.

Quanto ao resto da temporada, é de se esperar algo tão genial quanto. Ela será dividida em duas partes: a primeira com sete episódios, começando hoje, e a segunda com os episódios restantes na época da fall season. Moffat afirmou que construiu um clímax enorme, resultando em umcliffhanger de tirar o fôlego entre as duas partes de temporada. Ele ainda estimula: “Você verá a vida do Doutor mudar para sempre, você irá suspirar em espanto com a verdadeira natureza de seu relacionamento com Amy e você irá chorar de horror enquanto Rory Williams ficar à beira de um trágico erro”. O livro The Brilliant Book of Doctor Who 2011 ainda revela algumas pistas sobre outros eventos, seja o possível retorno de Atraxi, a polícia galáctica que estava atrás do Prisioneiro Zero no primeiro episódio da 5ª temporada; mais esclarecimentos sobre a explosão da TARDIS, também na 5ª temporada; ou a introdução de um novo (ou não) personagem de Gallifrey. E, como não poderia faltar, teremos muito mais de River Song, que retorna junto com o 6º ano. Ela teve sua primeira participação no fantástico episódio duplo “Silence in the Library” e “Forest of the Dead”, da 4ª temporada. Na minha opinião, River é tão fascinante quanto o próprio Doctor. De qualquer maneira, a 6ª temporada promete. Então se prepare, porque aqui começa uma nova aventura absolutamente brilhante.

Texto também disponível no site LiGado em Série